CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023
Qual das seguintes condições pode ser a causa de glaucoma secundário de ângulo fechado sem bloqueio pupilar?
Cistos de corpo ciliar → glaucoma de ângulo fechado sem bloqueio pupilar por anteriorização da periferia da íris.
O fechamento angular sem bloqueio pupilar ocorre quando estruturas retro-iridinas, como cistos ou tumores, empurram mecanicamente a íris contra o trabeculado, obstruindo o escoamento do humor aquoso.
O estudo dos mecanismos de fechamento angular é fundamental na oftalmologia para diferenciar as abordagens terapêuticas. Enquanto a iridotomia periférica a laser é o padrão-ouro para casos com bloqueio pupilar, ela pode ser ineficaz em glaucomas causados por cistos ciliares ou íris em platô, onde a fisiopatologia é puramente mecânica e periférica. O reconhecimento dessas condições através da gonioscopia e UBM previne intervenções desnecessárias e direciona para o manejo correto, que pode incluir iridoplastia ou tratamento da causa base.
Diferente do glaucoma primário de ângulo fechado, onde a resistência ao fluxo na pupila causa abaulamento da íris, no mecanismo sem bloqueio pupilar, a íris é empurrada para a frente por forças posteriores (como cistos ciliares ou tumores) ou apresenta uma inserção anteriorizada (íris em platô). Isso leva ao contato iridocorneano e aumento da pressão intraocular sem a necessidade de um gradiente de pressão entre as câmaras posterior e anterior.
Os cistos de corpo ciliar, especialmente quando múltiplos ou grandes, podem deslocar a periferia da íris anteriormente. Esse deslocamento reduz o espaço do ângulo iridocorneano, levando ao fechamento angular secundário. Clinicamente, isso pode mimetizar a síndrome da íris em platô, exigindo exames de imagem como a biomicroscopia ultrassônica (UBM) para o diagnóstico diferencial preciso.
No bloqueio pupilar, há uma dificuldade de passagem do humor aquoso da câmara posterior para a anterior através da pupila, aumentando a pressão posterior e empurrando a íris central. Na íris em platô, o ângulo é estreito devido à configuração anatômica do corpo ciliar ou da inserção da íris, mantendo a câmara anterior central profunda, mas com a periferia da íris bloqueando o trabeculado.
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