CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
Qual dos pacientes com as características abaixo tem, mais provavelmente, glaucoma pseudoexfoliativo e não glaucoma pigmentar?
Pseudoexfoliação = Idosos + Material esbranquiçado + Má dilatação pupilar + Pigmento em 'borrão'.
O glaucoma pseudoexfoliativo é uma doença sistêmica que afeta idosos, caracterizada por depósitos fibrilares e íris rígida, enquanto o pigmentar afeta jovens míopes com transiluminação iriana periférica.
O glaucoma pseudoexfoliativo é a forma mais comum de glaucoma secundário de ângulo aberto em todo o mundo. É causado pelo depósito de uma substância fibrilar extracelular em várias estruturas oculares (cápsula anterior do cristalino, íris, processos ciliares e trabeculado). Clinicamente, além da pressão intraocular elevada e muitas vezes de difícil controle, observa-se material esbranquiçado na borda pupilar e na cápsula do cristalino (alvo central e anel periférico). Já o glaucoma pigmentar decorre da Síndrome de Dispersão Pigmentar. A tríade clássica inclui: huso de Krukenberg, defeitos de transiluminação iriana radial e hiperpigmentação do ângulo. A diferenciação é vital, pois o glaucoma pseudoexfoliativo tem um prognóstico pior, com flutuações pressóricas maiores e riscos cirúrgicos aumentados devido à fragilidade zonular, enquanto o pigmentar pode responder bem a tratamentos como a iridotomia periférica a laser para retificar a configuração da íris.
No glaucoma pseudoexfoliativo, ocorre o depósito de material fibrilar esbranquiçado no estroma da íris e nos músculos dilatadores, além de isquemia iriana crônica. Isso torna a íris mais rígida e menos responsiva a colírios midriáticos. Além disso, a presença desse material nos processos ciliares e zônulas de Zinn causa fragilidade zonular, o que é um fator de risco importante para complicações em cirurgias de catarata.
O paciente típico com glaucoma pigmentar é jovem (20-40 anos), do sexo masculino e míope. A fisiopatologia envolve o contato da íris posterior com as zônulas (configuração côncava da íris), liberando pigmento que se deposita no endotélio corneano (Huso de Krukenberg) e no trabeculado. Na transiluminação da íris, observam-se defeitos em fenda na periferia média, ao contrário do pseudoexfoliativo, onde a atrofia é mais comum no bordo pupilar.
Na síndrome de pseudoexfoliação, a pigmentação do seio camerular é geralmente mais escura e irregular do que no glaucoma primário de ângulo aberto, mas menos densa que no glaucoma pigmentar. Um sinal clássico é a Linha de Sampaolesi (pigmento depositado anteriormente à linha de Schwalbe). A associação dessa pigmentação com a má dilatação pupilar e a idade avançada direciona o diagnóstico para a etiologia pseudoexfoliativa.
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