CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2009
Paciente com 65 anos de idade, hígido, com defeito de campo visual e de nervo óptico compatíveis com glaucoma. A tonometria (sem uso de medicação hipotensora) é de 23 mmHg em ambos os olhos e o paciente apresenta depósito de pigmentos no endotélio da córnea. Qual das hipóteses abaixo seria a mais provável?
Idoso + Depósito pigmentar/fibrilar + PIO ↑ → Glaucoma Pseudoesfoliativo.
A síndrome de pseudoesfoliação é uma doença sistêmica onde material fibrilar se deposita no segmento anterior, causando obstrução do trabeculado e aumento da PIO.
O glaucoma pseudoesfoliativo é a causa mais comum de glaucoma secundário de ângulo aberto em todo o mundo. A condição é marcada pela produção e acúmulo progressivo de material fibrilar extracelular em vários tecidos oculares. O diagnóstico clínico baseia-se na visualização desse material na borda pupilar ou na cápsula anterior do cristalino (frequentemente com aspecto de 'alvo' após midríase). Fisiopatologicamente, o aumento da pressão intraocular decorre tanto da obstrução mecânica do trabeculado pelo material esfoliativo e pigmento quanto de alterações degenerativas nas células endoteliais trabeculares. O manejo clínico é similar ao do glaucoma primário, mas a resposta à terapia medicamentosa pode ser menos eficaz, exigindo intervenções como trabeculoplastia a laser ou cirurgia filtrante precocemente.
A síndrome de pseudoesfoliação (PEX) é uma microfibrilopatia sistêmica generalizada. No olho, caracteriza-se pelo depósito de material fibrilar esbranquiçado na cápsula anterior do cristalino, borda pupilar e trabeculado. Isso leva à dispersão de pigmento e obstrução da drenagem do humor aquoso, resultando em glaucoma secundário de ângulo aberto, frequentemente mais agressivo que o glaucoma primário.
O glaucoma pigmentar ocorre geralmente em homens jovens, míopes, com fuso de Krukenberg central e transiluminação iriana periférica. Já o glaucoma pseudoesfoliativo ocorre em pacientes idosos (geralmente > 60 anos), apresenta material fibrilar esbranquiçado e a pigmentação no ângulo é mais irregular, frequentemente associada à linha de Sampaolesi.
Pacientes com PEX apresentam maior risco de complicações em cirurgias de catarata devido à fragilidade zonular e má dilatação pupilar. A instabilidade das zônulas de Zinn pode levar à subluxação do cristalino ou do complexo saco-lente no pós-operatório, exigindo técnicas cirúrgicas cuidadosas e, por vezes, o uso de anéis de tensão capsular.
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