Manejo do Glaucoma de Ângulo Fechado: Facoemulsificação vs Trabeculectomia

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 62 anos com diagnóstico de glaucoma primário de ângulo fechado, em uso de colírio de maleato de timolol. Ao exame oftalmológico de ambos os olhos, apresenta acuidade visual corrigida de 1,0, pressão intraocular de 25 mmHg, cristalino transparente, iridotomia periférica pérvia, câmara estreita, relação escavação/disco de 0,7 e gonioscopia, evidenciando linha de Schwalbe. À indentação, visualiza-se trabeculado pigmentado em todos os quadrantes sem goniossinéquias. Qual é a melhor conduta para redução da pressão intraocular, nesse momento, dentre as abaixo, visando à menor probabilidade de complicações operatórias?

Alternativas

  1. A) Cirurgia de catarata associada a GATT (Gonioscopy-Assisted Transluminal Trabeculotomy).
  2. B) Facoemulsificação com implante de lente intraocular.
  3. C) Trabeculectomia.
  4. D) Trabeculoplastia seletiva a laser.

Pérola Clínica

Ângulo fechado + PIO elevada → Facoemulsificação é superior para abrir o ângulo e reduzir a pressão.

Resumo-Chave

A remoção do cristalino (facoemulsificação) elimina o bloqueio pupilar e aumenta o espaço na câmara anterior, sendo a conduta mais eficaz e segura no glaucoma de ângulo fechado.

Contexto Educacional

O Glaucoma Primário de Ângulo Fechado (GPAF) é caracterizado pela obstrução do trabeculado pela íris periférica. A anatomia do olho (câmara rasa, diâmetro axial curto) predispõe a essa condição. A conduta moderna, baseada em evidências recentes, prioriza a facoemulsificação mesmo em cristalinos transparentes se houver hipertensão ocular de difícil controle, pois a cirurgia filtrante (trabeculectomia) em olhos com câmara rasa apresenta riscos elevados de hipotonia, efusão coroidiana e falência do sítio cirúrgico.

Perguntas Frequentes

Por que a facoemulsificação é preferível à trabeculectomia neste caso?

No glaucoma primário de ângulo fechado (GPAF), o cristalino desempenha um papel fisiopatológico central ao empurrar a íris para frente e fechar o ângulo. A facoemulsificação remove esse obstáculo mecânico, aprofundando a câmara anterior e abrindo o ângulo drenante. O estudo EAGLE demonstrou que a extração do cristalino é mais eficaz na redução da PIO e tem menos complicações do que a cirurgia filtrante ou iridotomia isolada em muitos casos de GPAF.

O que a gonioscopia com indentação revela?

A gonioscopia com indentação é usada para diferenciar o fechamento de ângulo por aposição (reversível) do fechamento por sinéquias (permanente). Se, ao indentar, o examinador consegue visualizar o trabeculado, significa que não há goniossinéquias (aderências). Isso indica que a abertura do ângulo via facoemulsificação terá alta probabilidade de sucesso no controle da pressão intraocular.

Qual o papel da iridotomia periférica já realizada?

A iridotomia periférica a laser serve para equalizar a pressão entre as câmaras posterior e anterior, eliminando o bloqueio pupilar. No entanto, em muitos pacientes, o ângulo permanece estreito ou a PIO continua elevada devido ao volume do cristalino ou a outros mecanismos (como íris em platô). Nesses casos, a extração definitiva do cristalino é o próximo passo lógico.

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