CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
Qual dos fatores de risco abaixo está classicamente associado ao aumento da incidência de glaucoma primário de ângulo aberto?
Raça negra + Idade avançada + História familiar = Tríade de alto risco para GPAA.
O Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (GPAA) tem forte predisposição genética e racial, sendo mais prevalente e agressivo na população negra.
O Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (GPAA) é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Por ser uma doença silenciosa e progressiva, o conhecimento dos fatores de risco é a base para estratégias de saúde pública e triagem clínica. A fisiopatologia envolve a resistência ao escoamento do humor aquoso na malha trabecular, levando ao aumento da PIO e consequente dano ao nervo óptico. Identificar pacientes de alto risco, como aqueles de raça negra ou com histórico familiar, permite intervenções precoces que preservam a função visual e a qualidade de vida.
Estudos epidemiológicos, como o Baltimore Eye Survey, demonstraram que o glaucoma primário de ângulo aberto é de 3 a 4 vezes mais comum em indivíduos negros do que em brancos. Além da maior prevalência, a doença tende a aparecer em idade mais precoce, apresenta níveis de pressão intraocular mais elevados e progride mais rapidamente para a cegueira se não tratada, possivelmente devido a diferenças na espessura corneana e na estrutura da lâmina crivosa.
Além da raça negra, os principais fatores de risco incluem: idade avançada (especialmente acima de 60 anos), pressão intraocular (PIO) elevada, história familiar positiva em parentes de primeiro grau, espessura corneana central fina e miopia. Doenças sistêmicas como diabetes mellitus e hipertensão arterial também são discutidas como possíveis fatores contribuintes, embora a relação direta seja menos robusta que a PIO.
Ter um parente de primeiro grau (pai, mãe ou irmão) com glaucoma primário de ângulo aberto aumenta significativamente o risco individual, sugerindo uma herança poligênica complexa. Estima-se que o risco seja cerca de 4 a 9 vezes maior nesses indivíduos, o que torna o rastreamento oftalmológico anual obrigatório para esse grupo, independentemente da ausência de sintomas.
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