CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2013
Paciente foi diagnosticado com glaucoma primário de ângulo aberto em 2007, com pressão intraocular não medicada de 24 mmHg no olho direito. Desde então, apresenta pressão intraocular estável em 12 mmHg com três medicações. As retinografias de 2007 (à esquerda) e 2012 (à direita) seguem abaixo. Podemos afirmar:
Progressão do glaucoma = alterações no disco óptico ou camada de fibras, mesmo com PIO estável.
A análise estrutural seriada do disco óptico via retinografia é fundamental para detectar progressão, pois danos anatômicos podem ocorrer mesmo com PIO dentro da meta teórica.
O glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) é uma neuropatia óptica crônica e progressiva. O manejo clínico baseia-se na redução da pressão intraocular (PIO), único fator de risco modificável comprovado. No entanto, o controle da PIO não garante a estabilidade da doença. A monitorização deve ser multimodal, integrando a tonometria, a perimetria computadorizada (funcional) e a avaliação estrutural do disco óptico. A análise de fotografias do fundo de olho (retinografias) em diferentes momentos permite identificar sinais de progressão como o afinamento da rima neural, o aumento da escavação vertical e a perda localizada da camada de fibras nervosas (sinal de Hoyt). Na prática clínica, a detecção de progressão estrutural muitas vezes precede a detecção de defeitos no campo visual, tornando o exame físico e documental do nervo óptico indispensável.
A progressão é definida pela detecção de mudanças estruturais no disco óptico (como aumento da escavação, surgimento de notches ou hemorragias de disco) ou na camada de fibras nervosas da retina, além de piora funcional no campo visual. Mesmo com uma PIO de 12 mmHg, se houver mudança anatômica visível em retinografias comparativas, a doença é considerada em progressão, indicando que a pressão alvo atual pode não ser suficiente para aquele paciente específico.
A retinografia colorida ou a estereofoto de papila são o padrão-ouro para o registro documental da anatomia do nervo óptico. Elas permitem a comparação temporal direta entre o estado basal e o atual, facilitando a identificação de sinais sutis de perda de rima neural que exames automatizados como o OCT podem não captar em estágios avançados devido ao 'efeito assoalho'.
É a faixa de pressão estimada para a qual se espera que o dano glaucomatoso não progrida ou progrida em uma taxa mínima aceitável. Ela é individualizada com base na gravidade do dano, expectativa de vida e níveis pressóricos basais. Se houver progressão documentada, a PIO alvo deve ser reavaliada e reduzida.
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