Tratamento do Glaucoma em Pacientes com Comorbidades

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um paciente masculino de 65 anos, portador de hipermetropia moderada, comparece à consulta de rotina para avaliação oftalmológica. Ele é assintomático do ponto de vista visual no momento, mas apresenta um histórico médico relevante de asma brônquica moderada persistente, em uso regular de corticoide inalatório associado a broncodilatador de longa duração (budesonida e formoterol), e bloqueio atrioventricular de primeiro grau, mantendo frequência cardíaca basal em torno de 52 a 54 batimentos por minuto. Ao exame oftalmológico, a acuidade visual com melhor correção é de 20/20 em ambos os olhos. A tonometria de aplanação de Goldmann revela pressão intraocular de 26 mmHg no olho direito e 27 mmHg no olho esquerdo. A fundoscopia demonstra uma relação escavação/disco de 0,7 verticalmente em ambos os olhos, com afinamento da rima neural superior e presença de sinal de Bayonet. A gonioscopia evidencia ângulo aberto em todos os quadrantes (grau IV de Shaffer). Com base no quadro clínico e nas comorbidades apresentadas, a melhor conduta terapêutica inicial para este paciente é:

Alternativas

  1. A) Prescrever análogo de prostaglandina, como o latanoprosta, uma gota em cada olho, uma vez ao dia, à noite.
  2. B) Realizar iridotomia periférica a laser de urgência para prevenção de crise de fechamento angular.
  3. C) Indicar o uso de brimonidina 0,2%, colírio, três vezes ao dia, associado a acetazolamida via oral.
  4. D) Iniciar maleato de timolol 0,5% colírio, uma gota em cada olho, duas vezes ao dia.

Pérola Clínica

Glaucoma + Asma/Bradicardia → Evitar Betabloqueadores (Timolol); Preferir Prostaglandinas.

Resumo-Chave

Análogos de prostaglandina são primeira linha no glaucoma de ângulo aberto por sua eficácia e segurança em pacientes com contraindicações sistêmicas aos betabloqueadores.

Contexto Educacional

O Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (GPAA) é uma neuropatia óptica progressiva caracterizada por alterações típicas no disco óptico e perda de campo visual. O manejo inicial é farmacológico, visando a redução da PIO para um nível alvo que previna a progressão do dano. A escolha do colírio deve considerar não apenas a eficácia ocular, mas o perfil de comorbidades do paciente. Em indivíduos com doenças respiratórias obstrutivas ou distúrbios de condução cardíaca, os betabloqueadores tópicos devem ser evitados, tornando os análogos de prostaglandina a opção preferencial.

Perguntas Frequentes

Por que o Timolol é contraindicado em asmáticos?

O maleato de timolol é um betabloqueador não seletivo. Mesmo em uso tópico ocular, ocorre absorção sistêmica significativa através da mucosa nasolacrimal, podendo causar broncoespasmo grave em pacientes com asma ou DPOC, além de exacerbar bradicardias e bloqueios atrioventriculares devido ao seu efeito cronotrópico e dromotrópico negativo.

Quais são as vantagens dos análogos de prostaglandina?

Medicamentos como a latanoprosta aumentam o escoamento uveoescleral do humor aquoso. São considerados primeira linha devido à sua alta potência na redução da pressão intraocular (25-35%), posologia de dose única diária (melhor adesão) e perfil de segurança sistêmica superior aos betabloqueadores.

O que caracteriza o dano glaucomatoso na fundoscopia?

Os sinais clássicos incluem o aumento da relação escavação/disco (geralmente > 0,5), afinamento da rima neural (respeitando a regra ISNT), sinal de Bayonet (angulação abrupta dos vasos na borda da escavação) e hemorragias de disco. No caso clínico, a escavação de 0,7 e o sinal de Bayonet confirmam a neuropatia óptica.

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