CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Paciente com glaucoma primário de ângulo aberto e uso de latanoprosta 0,005%, vem para consulta de seguimento apresentando os seguintes achados: PIO: 14 mmHg em ambos os olhos, campimetria normal, retinografia sem evidência de progressão da escavação em relação aos últimos exames; porém com presença de hemorragia de disco, temporal inferior, no olho direito. Considerando a paquimetria de aproximadamente 470 μm em ambos os olhos e sem evidência de descolamento de vítreo posterior, assinale a alternativa mais provável.
Hemorragia de disco + Paquimetria fina (<555μm) = Alto risco de progressão → Reduzir PIO alvo.
A hemorragia de disco (Drance) é um sinal clínico de instabilidade e progressão iminente do glaucoma, mesmo com PIO em níveis aparentemente normais, exigindo ajuste terapêutico.
O glaucoma é uma neuropatia óptica progressiva onde a pressão intraocular é o principal fator de risco modificável. A hemorragia de disco é frequentemente encontrada no quadrante temporal inferior ou superior, cruzando a borda do disco óptico. Ela é particularmente comum em pacientes com glaucoma de pressão normal, mas sua detecção em qualquer forma de glaucoma exige atenção imediata. A relação entre a espessura corneana e a medida da PIO é fundamental: córneas finas dissipam menos energia durante a aplanação, resultando em leituras falsamente baixas. Portanto, um paciente com 14 mmHg e córnea de 470 μm está sob maior estresse pressórico do que a medida sugere. O tratamento deve ser dinâmico, baseando-se não apenas em números absolutos, mas em sinais clínicos de estabilidade estrutural e funcional.
A hemorragia de disco, ou hemorragia de Drance, é um sinal clássico de progressão ou controle inadequado do glaucoma. Ela geralmente precede a perda de fibras nervosas e o aparecimento de novos defeitos no campo visual. Em pacientes com glaucoma de pressão normal ou glaucoma primário de ângulo aberto, sua presença sugere que a pressão intraocular atual não é baixa o suficiente para interromper o dano glaucomatoso, exigindo uma reavaliação da PIO alvo e, frequentemente, a intensificação do tratamento hipotensor.
A paquimetria mede a espessura central da córnea (ECC). Córneas finas (geralmente < 555 μm) tendem a subestimar a pressão intraocular real medida pela tonometria de aplanação de Goldmann, além de serem um fator de risco independente para a progressão do glaucoma. No caso clínico, uma paquimetria de 470 μm indica que a PIO real é significativamente maior que os 14 mmHg medidos, reforçando a necessidade de reduzir ainda mais a pressão para proteger o nervo óptico.
Mesmo que a PIO pareça estar dentro da meta estabelecida, a presença de hemorragia de disco é um marcador de atividade da doença. A conduta recomendada é o ajuste da medicação hipotensora para alcançar uma PIO alvo ainda menor. A manutenção da conduta atual em face de uma hemorragia de disco e córnea fina aumenta substancialmente o risco de perda funcional permanente e progressão de escavação.
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