Glaucoma de Pressão Normal: Manejo de Intolerância

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025

Enunciado

Paciente recém-diagnosticado com glaucoma de pressão normal, com pressão intraocular máxima medida de 16 mmHg em ambos os olhos. Foi iniciado tratamento com colírio de análogo de prostamida, porém paciente apresentou hiperemia conjuntival e intolerância à medicação. Qual a melhor recomendação para o seguimento desse caso, dentre as abaixo?

Alternativas

  1. A) Deve-se suspender seu uso e iniciar o tratamento com uma combinação fixa, por exemplo, maleato de timolol e cloridrato de dorzolamida, associado a fluormetolona para controle da hiperemia.
  2. B) Devido à pressão intraocular ser baixa, não há necessidade de se iniciar tratamento hipotensor nesse momento, apenas se houver progressão estrutural ou funcional.
  3. C) Devido à intolerância ao análogo de prostamida, deve-se suspender o seu uso e iniciar tratamento com análogo de prostaglandina.
  4. D) Orientar o paciente para seguir com o uso dessa classe de medicação, já que pode haver intolerância no início do tratamento. Deve-se prescrever colírio antialérgico para ser usado continuamente em associação.

Pérola Clínica

Intolerância à prostamida no GPN → Trocar por análogo de prostaglandina (ex: latanoprosta).

Resumo-Chave

No Glaucoma de Pressão Normal, se houver intolerância a uma classe (como as prostamidas), a substituição por um análogo de prostaglandina é preferível antes de associar múltiplas drogas ou corticoides.

Contexto Educacional

O Glaucoma de Pressão Normal (GPN) representa um desafio terapêutico onde fatores vasculares e estruturais do nervo óptico são tão relevantes quanto a PIO. A primeira linha de tratamento são os análogos de prostaglandinas devido à sua eficácia e posologia uma vez ao dia. Quando ocorre intolerância, como hiperemia conjuntival persistente ou ceratite, a troca dentro da mesma classe farmacológica ampliada (ex: de bimatoprosta para latanoprosta ou tafluprosta sem conservantes) é a estratégia inicial mais adequada antes de considerar terapias combinadas ou laser (SLT).

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre prostamidas e análogos de prostaglandinas?

As prostamidas (como a bimatoprosta) e os análogos de prostaglandinas (como a latanoprosta) são quimicamente distintos, embora ambos aumentem o escoamento uveoescleral do humor aquoso. As prostamidas tendem a ser mais potentes na redução da PIO, mas frequentemente causam mais hiperemia conjuntival e irritação ocular do que os análogos de prostaglandinas tradicionais.

Por que tratar o glaucoma se a pressão é 'normal'?

No Glaucoma de Pressão Normal (GPN), o dano ao nervo óptico ocorre mesmo com PIO dentro da faixa estatisticamente normal (≤ 21 mmHg). Estudos como o CNTGS demonstraram que reduzir a PIO em pelo menos 30% em relação à linha de base retarda significativamente a progressão do dano de campo visual e a perda de fibras nervosas.

É seguro usar colírios antialérgicos para tratar a hiperemia?

Não é a conduta recomendada. A hiperemia causada por análogos de prostaglandinas ou prostamidas é mediada por vasodilatação direta e não por uma reação alérgica tipo I. O uso crônico de colírios adicionais pode aumentar a toxicidade da superfície ocular devido aos conservantes (como o cloreto de benzalcônio) e mascarar sinais de intolerância real.

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