CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2010
Considerando uma paciente de 70 anos de idade, com quadro crônico de enxaqueca, pressão intraocular de 16 mmHg em ambos os olhos (variação diurna de 12 a 17 mmHg). Paquimetria de 540 µm (AO), e com os resultados de retinografia e de campo visual ilustrados, podemos afirmar que:
GPN → Enxaqueca + Sexo Feminino = ↑ Risco de Progressão.
O Glaucoma de Pressão Normal (GPN) é uma variante da neuropatia óptica glaucomatosa onde o dano ocorre com PIO estatisticamente normal. Fatores vasculares, como enxaqueca e fenômeno de Raynaud, são preditores cruciais de progressão.
O Glaucoma de Pressão Normal representa um desafio diagnóstico e terapêutico na oftalmologia. Diferente do glaucoma de ângulo aberto primário clássico, onde a hipertensão ocular é o principal driver, no GPN a patogênese envolve uma complexa interação entre sensibilidade mecânica e insuficiência vascular. A avaliação deve ser holística, incluindo a análise de comorbidades sistêmicas. Clinicamente, o manejo foca na redução da PIO, mas também na estabilização de fatores hemodinâmicos. O reconhecimento de que pacientes do sexo feminino e com distúrbios vasoespásticos (como enxaqueca) possuem maior risco de progressão permite uma vigilância mais estreita e intervenção precoce para preservar a função visual a longo prazo.
O GPN é caracterizado por evidências de dano glaucomatoso ao nervo óptico e perda de campo visual correspondente, na presença de uma pressão intraocular (PIO) consistentemente abaixo de 21 mmHg, sem outras causas secundárias de neuropatia óptica. É fundamental considerar a espessura corneana (paquimetria), pois córneas finas podem subestimar a PIO real. O diagnóstico exige a exclusão de neuropatias ópticas compressivas ou isquêmicas agudas.
A enxaqueca é considerada um fator de risco vascular importante para o desenvolvimento e a progressão do GPN. Acredita-se que a desregulação vascular sistêmica e o vasoespasmo reduzam a perfusão da cabeça do nervo óptico, tornando-o mais suscetível ao dano, mesmo em níveis pressóricos normais. Estudos como o Collaborative Normal Tension Glaucoma Study (CNTGS) identificaram o sexo feminino e a história de enxaqueca como fatores preditivos de piora do campo visual.
Sim, o tratamento com fármacos antiglaucomatosos é indicado. Embora a PIO esteja em níveis normais, a redução adicional da pressão intraocular (geralmente em 30% ou mais) demonstrou retardar significativamente a progressão do dano ao campo visual em pacientes com GPN. O tratamento visa otimizar a perfusão ocular e reduzir o estresse mecânico sobre a lâmina crivosa.
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