Farmacoterapia do Glaucoma em Crianças: Riscos e Escolhas

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017

Enunciado

Em relação ao uso das medicações hipotensoras no tratamento de glaucoma em crianças, realize a melhor correlação: I. Maleato de timolol 0,5%. II. Tartarato de brimonidina 0,2%. III. Cloridrato de dorzolamida 2%. IV. Latanoprosta 0,005%. 1. Pode ser usado como primeira linha de tratamento. 2. Deve ser evitado e, quando utilizado, de preferência em concentrações menores. 3. Sem efeitos colaterais sistêmicos graves. 4. Pode causar bradicardia.

Alternativas

  1. A) I – 1; II – 4; III – 3; IV -2.
  2. B) I – 2; II – 3; III – 4; IV – 1.
  3. C) I – 4; II – 1; III – 3; IV – 2.
  4. D) I – 4; II – 2; III – 1; IV – 3.

Pérola Clínica

Brimonidina em crianças → Risco de depressão do SNC e apneia (evitar < 2 anos).

Resumo-Chave

O manejo farmacológico do glaucoma infantil exige cautela com betabloqueadores (risco sistêmico) e agonistas alfa-2 (risco neurológico grave).

Contexto Educacional

O tratamento do glaucoma na infância é predominantemente cirúrgico (goniotomia ou trabeculotomia), mas a terapia medicamentosa é essencial no pré-operatório ou quando a cirurgia não é totalmente eficaz. A escolha do colírio deve considerar a farmacocinética diferenciada na criança. Os betabloqueadores como o Timolol 0,5% são potentes, mas exigem vigilância cardiovascular. Os inibidores da anidrase carbônica (Dorzolamida) e os análogos de prostaglandinas (Latanoprosta) são pilares importantes. A correlação correta da questão destaca que o Timolol pode causar bradicardia (I-4), a Brimonidina deve ser evitada (II-2), a Dorzolamida é frequentemente usada como linha de tratamento (III-1) e a Latanoprosta tem poucos efeitos sistêmicos (IV-3).

Perguntas Frequentes

Por que a Brimonidina é contraindicada em crianças pequenas?

A Brimonidina é um agonista alfa-2 adrenérgico que atravessa a barreira hematoencefálica. Em crianças, especialmente menores de 2 a 6 anos, ela pode causar depressão grave do sistema nervoso central, levando a sonolência extrema, hipotonia, bradicardia, hipotermia e, mais perigosamente, apneia e coma. Por isso, deve ser evitada ou usada com extrema cautela em concentrações reduzidas apenas em crianças maiores.

Quais os riscos sistêmicos do Timolol em pediatria?

O Timolol é um betabloqueador não seletivo. Devido ao baixo peso corporal das crianças, a absorção sistêmica pelo ducto nasolacrimal pode atingir níveis proporcionalmente altos, causando bradicardia, hipotensão e broncoespasmo (especialmente em crianças com asma ou hiperreatividade brônquica). Recomenda-se a oclusão do ponto lacrimal após a instilação para minimizar esses efeitos.

Qual o papel da Dorzolamida e Latanoprosta no glaucoma infantil?

A Dorzolamida (inibidor da anidrase carbônica) é frequentemente utilizada como primeira linha ou adjuvante, apresentando um perfil de segurança sistêmica melhor que os betabloqueadores, embora possa causar irritação local. A Latanoprosta (análogo de prostaglandina) é eficaz e segura, sem efeitos sistêmicos graves, embora sua eficácia possa ser menor em alguns tipos de glaucoma congênito em comparação ao glaucoma de ângulo aberto do adulto.

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