CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
Homem, 50 anos de idade, míope, com hipertensão arterial, apresenta dor ocular (OE) irradiando para região temporal ipsilateral há 20 dias, com baixa de visão aguda no mesmo olho há 4 meses. Nega uso de colírios. Ao exame OD sem alterações. No OE apresenta AV de movimento de mãos, edema de córnea, midríase paralítica, ectrópio uveal na câmara anterior média e difícil visualização de detalhes da câmara anterior e da retina pelo edema de córnea. Gonioscopia do OD de ângulo aberto até esporão escleral e OE impossível. Pressão intraocular de 17 mmHg e 65 mmHg às 10 h. Pode-se afirmar que:
PIO muito alta → Edema córnea → Reduzir PIO para visualizar e tratar a causa base.
Em crises de hipertensão ocular severa com edema de córnea, a prioridade é reduzir a PIO para permitir o exame detalhado e o diagnóstico definitivo.
O caso clínico descreve um paciente com provável Glaucoma Neovascular (GNV) em estágio avançado. A tríade de dor ocular, visão muito baixa e PIO extremamente alta configura uma urgência. O ectrópio uveal é um sinal clássico de tração por membranas neovasculares. O manejo inicial deve focar em hipotensores sistêmicos (acetazolamida oral ou manitol venoso) e colírios hipotensores (bloqueadores beta, alfa-agonistas). Uma vez que a transparência corneana é recuperada, o tratamento definitivo envolve a panfotocoagulação da retina isquêmica e, frequentemente, o uso de agentes anti-VEGF intravítreos para regredir a neovascularização.
O ectrópio uveal (eversão do epitélio pigmentar da íris para a superfície anterior) associado a uma pressão intraocular de 65 mmHg e história de baixa visão prévia sugere fortemente o diagnóstico de Glaucoma Neovascular (GNV). A neovascularização da íris (rubeosis iridis) e do ângulo cria membranas fibrovasculares que se contraem, puxando a íris e causando o ectrópio e o fechamento angular sinequial.
Pressões intraoculares muito elevadas (como 65 mmHg) superam a capacidade da bomba endotelial da córnea, resultando em edema estromal e epitelial. Esse edema impede a visualização clara das estruturas do segmento anterior e do fundo de olho. Reduzir a PIO é essencial para 'clarear' a córnea, permitindo a realização de gonioscopia para avaliar o ângulo e mapeamento de retina para identificar a causa da isquemia (como oclusão de veia central da retina ou retinopatia diabética).
A pilocarpina é um miótico que pode exacerbar a inflamação intraocular e aumentar a quebra da barreira hemato-aquosa, o que é prejudicial em casos de glaucoma neovascular ou inflamatório. Além disso, em pressões muito elevadas (acima de 40-50 mmHg), o esfíncter da íris torna-se isquêmico e não responde à pilocarpina, tornando o medicamento ineficaz e potencialmente perigoso por induzir deslocamento anterior do diafragma íris-cristalino.
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