Tratamento do Glaucoma Neovascular em Pacientes Diabéticos

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2021

Enunciado

Homem de 65 anos com antecedente pessoal de diabetes mellitus apresenta pressão intraocular de 25 mmHg e o seguinte exame de gonioscopia. Qual a melhor conduta dentre as alternativas abaixo?

Alternativas

  1. A) Iniciar tratamento clínico com hipotensores tópicos e panfotocoagulação de retina com laser de argônio.
  2. B) Iniciar tratamento clínico com hipotensores tópicos e indicar implante de drenagem.
  3. C) Iniciar tratamento com pilocarpina e iridotomia com YAG laser.
  4. D) Injeção intravítrea de antiangiogênico e realização de trabeculectomia após 7 dias.

Pérola Clínica

Glaucoma Neovascular → Hipotensores tópicos + Panfotocoagulação imediata.

Resumo-Chave

O tratamento do glaucoma neovascular exige o controle da pressão intraocular e, crucialmente, a eliminação do estímulo isquêmico retiniano via panfotocoagulação.

Contexto Educacional

O glaucoma neovascular (GNV) é uma forma grave de glaucoma secundário de ângulo fechado (em estágios tardios) ou aberto (estágios iniciais). Em pacientes diabéticos, ele sinaliza uma retinopatia diabética proliferativa avançada. O manejo clínico inicial foca na redução da PIO e controle da inflamação. A panfotocoagulação de retina (PRP) continua sendo o padrão-ouro para tratar a isquemia subjacente. Em casos refratários ao tratamento clínico e laser, implantes de drenagem ou procedimentos ciclodestrutivos podem ser necessários para salvar o globo ocular, embora o prognóstico visual seja frequentemente reservado.

Perguntas Frequentes

Por que a panfotocoagulação é essencial no glaucoma neovascular?

O glaucoma neovascular é causado pela produção de fatores angiogênicos (como o VEGF) em resposta à isquemia retiniana (comumente por diabetes ou oclusão venosa). Esses fatores estimulam o crescimento de vasos anormais (rubeosis) na íris e no ângulo da câmara anterior, obstruindo a drenagem do humor aquoso. A panfotocoagulação destrói áreas de retina isquêmica, reduzindo a produção de VEGF e levando à regressão dos neovasos.

Quais colírios são usados no glaucoma neovascular?

Utilizam-se hipotensores que reduzem a produção de humor aquoso, como betabloqueadores, inibidores da anidrase carbônica e alfa-agonistas. Os análogos de prostaglandinas devem ser usados com cautela, pois podem aumentar a inflamação ocular. A pilocarpina é geralmente contraindicada, pois pode piorar a inflamação e favorecer a formação de sinéquias em olhos com rubeosis.

Qual o papel dos anti-VEGF no glaucoma neovascular?

As injeções intravítreas de anti-VEGF (como ranibizumabe ou aflibercepte) são adjuvantes poderosos. Elas promovem a regressão rápida dos neovasos da íris e do ângulo, ajudando a baixar a PIO temporariamente e facilitando a realização da panfotocoagulação ou de cirurgias filtrantes. No entanto, o anti-VEGF não substitui o laser, que oferece um efeito mais duradouro contra a isquemia.

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