CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Paciente diabético com 60 anos queixa-se de dor e baixa de acuidade visual no olho direito. Ao exame oftalmológico apresenta acuidade visual 0,1, pressão intraocular 45 mmHg, edema de córnea, neovascularização proliferativa. Após iniciar tratamento clínico hipotensor, apresentou boa resposta. Dentre as opções abaixo, qual é a conduta mais adequada a seguir?
Glaucoma Neovascular → Panfotocoagulação (trata o estímulo isquêmico).
O glaucoma neovascular é uma complicação grave da isquemia retiniana; o tratamento definitivo foca na eliminação do estímulo angiogênico através da panfotocoagulação da retina isquêmica.
O glaucoma neovascular (GNV) representa um desafio terapêutico. Ele evolui em três estágios: rubeosis iridis com ângulo aberto, glaucoma de ângulo aberto secundário e, finalmente, glaucoma de ângulo fechado sinequial. O caso clínico apresenta um paciente com PIO muito elevada (45 mmHg) e neovascularização, indicando um estágio avançado. Após o controle clínico inicial da pressão (com hipotensores tópicos e sistêmicos como acetazolamida), a prioridade absoluta é a panfotocoagulação retiniana (PFC). Se os meios estiverem opacos (edema de córnea ou catarata), a crioterapia ou injeção de anti-VEGF podem ser usadas. Procedimentos cirúrgicos como implantes de drenagem ou ciclofotocoagulação são reservados para casos onde a PIO permanece incontrolável mesmo após a regressão dos vasos.
A causa primária é a isquemia retiniana crônica, mais comumente decorrente de Retinopatia Diabética Proliferativa, Oclusão de Veia Central da Retina ou Síndrome Isquêmica Ocular. A hipóxia tecidual estimula a liberação de fatores de crescimento endotelial vascular (VEGF), que migram para o segmento anterior, causando a formação de novos vasos na íris (rubeosis iridis) e no ângulo, obstruindo a drenagem do humor aquoso.
A panfotocoagulação (laser) destrói a retina periférica isquêmica, reduzindo a demanda metabólica de oxigênio e, consequentemente, a produção de VEGF. Isso leva à regressão dos neovasos no ângulo e na íris. Sem tratar a causa isquêmica, qualquer tentativa de controle da pressão intraocular será apenas paliativa e os neovasos continuarão a causar sinéquias e fechamento angular definitivo.
As injeções intravítreas de anti-VEGF (como ranibizumabe ou aflibercepte) são adjuvantes valiosos. Elas promovem uma regressão rápida dos neovasos (em dias), permitindo o controle temporário da PIO e facilitando a realização da panfotocoagulação ou de cirurgias. No entanto, o efeito é transitório, e o laser continua sendo o tratamento definitivo para a isquemia de base.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo