CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010
Qual das condições constitui diagnóstico diferencial de glaucoma neovascular (pela presença de neovasos na íris)?
Glaucoma pseudoesfoliativo → vasos de íris proeminentes e hipóxia, mimetizando rubeose do glaucoma neovascular.
O glaucoma pseudoesfoliativo é um importante diferencial do neovascular por apresentar vasos dilatados na íris e estar associado a estados de hipóxia ocular.
O glaucoma neovascular representa um desafio terapêutico e uma urgência oftalmológica. Sua fisiopatologia está intimamente ligada à isquemia ocular. O diagnóstico diferencial deve incluir condições que cursam com hiperemia ou vasos proeminentes, como a síndrome de Fuchs, uveítes crônicas e o glaucoma pseudoesfoliativo. A síndrome pseudoesfoliativa é uma doença sistêmica com manifestações oculares importantes, incluindo fragilidade zonular e má dilatação pupilar. A presença de vasos anormais na íris nesses pacientes reflete uma microangiopatia local, exigindo do examinador atenção redobrada para não diagnosticar erroneamente uma neovascularização de origem retiniana.
O glaucoma neovascular é um glaucoma secundário de ângulo fechado causado pela proliferação de uma membrana fibrovascular no ângulo da câmara anterior. Essa proliferação é estimulada por fatores angiogênicos (como o VEGF) liberados em resposta à isquemia retiniana crônica, frequentemente secundária à retinopatia diabética proliferativa ou oclusão da veia central da retina. Clinicamente, manifesta-se com rubeosis iridis (neovasos na íris) que progridem para o ângulo.
No glaucoma pseudoesfoliativo, ocorre a deposição de material fibrilar esbranquiçado no segmento anterior. Além disso, há uma vasculopatia associada que pode levar à hipóxia do segmento anterior, resultando em vasos de íris dilatados e tortuosos que podem ser confundidos com rubeose incipiente. A diferenciação é crucial, pois o manejo da causa base (isquemia retiniana vs. síndrome esfoliativa) é completamente distinto.
Neovasos (rubeose) são tipicamente pequenos, irregulares, sem orientação radial definida e localizam-se frequentemente na borda pupilar ou no ângulo, cruzando o esporão escleral. Vasos normais ou dilatados (como no pseudoesfoliativo ou em olhos claros) tendem a seguir um trajeto radial e estão situados mais profundamente no estroma iriano, não cruzando estruturas anatômicas do ângulo de forma desordenada.
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