CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2025
Em relação à cirurgia realizada na imagem abaixo, é correto afirmar:
GATT → eficaz em glaucomas de mecanismo trabecular (ex: cortisônico) ao abrir o canal de Schlemm 360°.
Procedimentos que atuam na malha trabecular, como a GATT, são ideais para patologias onde a resistência ao fluxo está no trabeculado, como no glaucoma induzido por corticoides.
A evolução das cirurgias de glaucoma trouxe técnicas que visam a via fisiológica de drenagem. A GATT destaca-se por ser uma técnica de 360 graus que não necessita de implantes caros, utilizando materiais simples como o fio de prolene 6-0. Ela é particularmente útil em pacientes jovens e em glaucomas secundários (pigmentar, pseudoesfoliativo e cortisônico). O sucesso do procedimento depende da integridade do sistema de drenagem distal (canais coletores e veias episclerais). Se a resistência estiver além do trabeculado, a eficácia da cirurgia angular diminui. O manejo do hifema pós-operatório, com repouso e elevação da cabeceira, é fundamental para o sucesso visual precoce.
A GATT (Gonioscopy-Assisted Transluminal Trabeculotomy) é uma técnica de cirurgia de glaucoma minimamente invasiva (MIGS) que consiste na realização de uma trabeculotomia de 360 graus. Utiliza-se um microcateter ou um fio de prolene introduzido através de uma pequena incisão na malha trabecular, percorrendo todo o canal de Schlemm para depois ser tracionado, rompendo o trabeculado e facilitando o escoamento do humor aquoso diretamente para os canais coletores.
O glaucoma induzido por corticoides ocorre devido a alterações estruturais e bioquímicas na malha trabecular que aumentam a resistência ao escoamento do humor aquoso. Como a GATT atua removendo justamente essa barreira (o trabeculado doente), ela restaura o acesso direto ao canal de Schlemm e ao sistema de drenagem distal, sendo altamente eficaz em casos onde o mecanismo de hipertensão ocular é puramente trabecular.
Diferente da trabeculectomia convencional (TREC), a GATT não cria uma bolha filtrante subconjuntival, o que elimina riscos como blebite, endoftalmite tardia e desconforto ocular relacionado à bolha. Por ser um procedimento 'ab interno', preserva a conjuntiva para possíveis cirurgias futuras e apresenta uma recuperação visual mais rápida, embora possa cursar com hifema transitório no pós-operatório imediato.
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