CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2006
Um homem com 66 anos de idade possui pressão intraocular não controlada com tratamento clínico e com iridotomia periférica pérvia para glaucoma crônico de ângulo fechado. Submetido a trabeculectomia, apresentou, após 5 dias, câmara anterior muito rasa, iridotomia patente, pressão intraocular de 40 mmHg e nenhuma evidência de descolamento de coroide na ultrassonografia. Entre as alternativas abaixo, o tratamento clínico mais adequado para este paciente é:
CA rasa + PIO ↑ pós-TREC (sem descolamento coroide) = Glaucoma Maligno → Cicloplégicos.
O glaucoma maligno ocorre pelo redirecionamento do aquoso para o vítreo; o tratamento clínico inicial exige cicloplegia para tensionar a zônula e recuar o cristalino.
O glaucoma maligno é uma emergência oftalmológica pós-operatória desafiadora. Sua fisiopatologia envolve um bloqueio relativo no nível do corpo ciliar, fazendo com que o humor aquoso seja direcionado para a cavidade vítrea, empurrando o diafragma íris-cristalino para frente. O diagnóstico diferencial com efusão supracoroidal é essencial, sendo a ultrassonografia ocular a ferramenta chave. O manejo clínico visa restaurar a anatomia normal da câmara anterior, e a manutenção de cicloplégicos a longo prazo pode ser necessária para prevenir a recorrência.
Também chamado de síndrome do desvio do humor aquoso, caracteriza-se por uma câmara anterior uniformemente rasa ou colabada, associada a uma pressão intraocular (PIO) elevada, na presença de uma iridotomia ou iridectomia patente. Ocorre tipicamente após cirurgias oculares em olhos com ângulo estreito, onde o aquoso é represado atrás ou dentro do corpo vítreo.
Diferencia-se do bloqueio pupilar pela presença de iridotomia patente. Diferencia-se do descolamento de coroide ou hemorragia expulsiva pela ultrassonografia (que estará limpa no glaucoma maligno) e pela PIO, que costuma estar baixa no descolamento de coroide seroso e muito alta no maligno.
O tratamento inicial é clínico: cicloplégicos fortes (atropina 1%) para puxar o cristalino para trás, supressores de humor aquoso (betabloqueadores, alfa-agonistas) e agentes osmóticos (manitol) para reduzir o volume vítreo. Se falhar, procede-se à capsulotomia posterior com laser ou vitrectomia anterior para criar uma comunicação direta entre o vítreo e a câmara anterior.
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