Glaucoma Maligno Pós-Trabeculectomia: Conduta e Diagnóstico

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2025

Enunciado

Paciente no quarto dia de pós-operatório de trabeculectomia apresenta pressão intraocular de 29 mmHg, sinal de Seidel negativo, e o seguinte exame de ultrassonografia biomicroscópica (imagem abaixo). Assinale a alternativa correta, dentre as abaixo:

Alternativas

  1. A) Caso a iridectomia periférica esteja pérvia, o uso de pilocarpina pode auxiliar na resolução do caso.
  2. B) Caso o tratamento clínico com cicloplégicos não seja eficaz, é indicada vitrectomia via pars plana.
  3. C) Devido à elevada pressão intraocular, é necessário a lise de um dos pontos do retalho escleral com laser de argônio.
  4. D) Pacientes com diâmetro axial acima de 25 mm tem maior chance de desenvolverem esse quadro.

Pérola Clínica

PIO ↑ + Câmara rasa + Seidel (-) pós-TREC = Glaucoma Maligno → Vitrectomia se clínico falhar.

Resumo-Chave

O glaucoma maligno ocorre pelo redirecionamento posterior do humor aquoso para o vítreo, empurrando o diafragma iridocristaliniano para frente e fechando o ângulo.

Contexto Educacional

O glaucoma maligno, ou síndrome do desvio do humor aquoso, é uma complicação temida em olhos com ângulo estreito submetidos a cirurgias intraoculares. A fisiopatologia exata ainda é debatida, mas envolve um bloqueio relativo ao nível do corpo ciliar ou hialoide anterior, forçando o líquido para dentro ou atrás do corpo vítreo. O diagnóstico diferencial com bloqueio pupilar é feito pela presença de iridectomia pérvia. O diferencial com efusão coroidiana é feito pela ultrassonografia (UBM ou USG modo B), que mostrará a ausência de fluido supracoroidal no glaucoma maligno. O manejo inicial é sempre clínico, mas a intervenção cirúrgica definitiva muitas vezes requer a quebra da barreira vítrea.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o glaucoma maligno no pós-operatório?

Caracteriza-se por uma pressão intraocular (PIO) elevada associada a um aplanamento (rasamento) uniforme da câmara anterior, na presença de uma iridectomia patente e na ausência de descolamento coroidiano ou hemorragia expulsiva. O sinal de Seidel é negativo, descartando hipotonia por fístula.

Por que a pilocarpina é contraindicada no glaucoma maligno?

A pilocarpina causa contração do músculo ciliar e relaxamento das zônulas, o que permite que o cristalino se desloque ainda mais para frente, agravando o estreitamento da câmara anterior e o bloqueio do fluxo. O tratamento correto envolve cicloplégicos (como a atropina) para tensionar as zônulas e puxar o cristalino para trás.

Qual o papel da vitrectomia no tratamento?

A vitrectomia via pars plana é indicada quando o tratamento clínico (cicloplégicos, supressores de aquoso e hiperosmóticos) falha. O objetivo é remover o vítreo anterior e criar uma comunicação direta entre a câmara posterior e o espaço vítreo (hialoidotomia/capsulotomia), permitindo que o aquoso retorne à câmara anterior.

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