CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
Qual dos fatores é determinante no diagnóstico diferencial entre glaucoma maligno e glaucoma agudo por bloqueio pupilar?
Iridotomia patente exclui bloqueio pupilar; se a câmara segue rasa e PIO ↑ → Glaucoma Maligno.
A presença de uma iridotomia patente elimina o bloqueio pupilar como causa de câmara anterior rasa; se a hipertensão persiste com câmara rasa, o diagnóstico é glaucoma maligno.
O diagnóstico diferencial entre as formas de glaucoma de ângulo fechado é vital, pois os tratamentos podem ser opostos. Enquanto o bloqueio pupilar se resolve com iridotomia ou mióticos, o glaucoma maligno exige midriáticos/cicloplégicos. A avaliação cuidadosa da patência da iridotomia e da profundidade da câmara anterior central vs. periférica guia a conduta correta na urgência oftalmológica.
O glaucoma maligno, também chamado de glaucoma de bloqueio ciliar, é uma condição grave onde ocorre um desvio posterior do humor aquoso para o espaço vítreo. Isso causa um aumento de volume no segmento posterior que empurra o diafragma íris-cristalino para frente, resultando em achatamento uniforme da câmara anterior (tanto central quanto periférica) e aumento da pressão intraocular. Geralmente ocorre após cirurgias intraoculares em olhos com predisposição anatômica (olhos pequenos/hipermetropes).
No glaucoma agudo por bloqueio pupilar, a pressão na câmara posterior é maior que na anterior porque o aquoso não consegue passar pela pupila. Uma iridotomia patente cria uma via alternativa, equalizando as pressões e aprofundando a câmara. Se o paciente possui uma iridotomia comprovadamente funcional (patente) e, mesmo assim, a câmara anterior permanece rasa e a pressão alta, o mecanismo de bloqueio pupilar está descartado, apontando para o glaucoma maligno.
O tratamento inicial é clínico e visa 'empurrar' o diafragma íris-cristalino para trás. Utilizam-se cicloplégicos fortes (atropina) para tensionar a zônula e retrair o corpo ciliar, além de supressores da produção de aquoso e agentes osmóticos (manitol) para reduzir o volume vítreo. Se o tratamento clínico falhar, procedimentos como capsulotomia com YAG laser (em pseudofácicos) ou vitrectomia anterior com hialoidotomia anterior são necessários para restaurar o fluxo do aquoso.
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