Glaucoma Maligno: Diagnóstico e Bloqueio Ciliolenticular

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025

Enunciado

Paciente no primeiro dia de pós-operatório de catarata, com quadro de dor ocular, apresenta, ao exame oftalmológico, câmara anterior praticamente ausente, pressão intraocular de 45 mmHg, e nota-se uma iridotomia superior pérvia. Não se observam alterações no segmento posterior. Assinale a alternativa correta em relação a esse caso.

Alternativas

  1. A) A presença de iridotomia indica a possibilidade de glaucoma de ângulo aberto, fator de risco importante para essa complicação.
  2. B) O tratamento clínico consiste em uso de manitol, pilocarpina e inibidores da produção de humor aquoso.
  3. C) O tratamento cirúrgico consiste em nova iridotomia e sutura do corpo ciliar.
  4. D) Ocorreu um bloqueio ciliolenticular induzido por movimentação anterior da interface iridolenticular.

Pérola Clínica

CA rasa + PIO ↑ + Iridotomia pérvia no pós-op → Glaucoma Maligno (Bloqueio Ciliolenticular).

Resumo-Chave

O glaucoma maligno decorre do redirecionamento posterior do humor aquoso para o vítreo, empurrando o diafragma iridocristaliniano para frente, mesmo com iridotomia funcional.

Contexto Educacional

O glaucoma maligno é uma emergência oftalmológica rara, mas grave, que desafia o cirurgião no pós-operatório. A compreensão de que a iridotomia não previne esta condição é fundamental para o diagnóstico correto. Diferente do glaucoma de ângulo fechado primário, onde o bloqueio é pupilar, aqui o problema é 'atrás' da íris, no corpo ciliar e interface vítrea. Na prática clínica, a visualização de uma câmara anterior 'rasa de parede a parede' em um olho hipermetrópico após cirurgia deve acender o alerta. O manejo exige uma combinação de redução da produção de aquoso, desidratação do vítreo e, crucialmente, a cicloplegia para tentar reverter o deslocamento anterior das estruturas oculares.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o glaucoma maligno no pós-operatório?

O glaucoma maligno, ou bloqueio ciliolenticular, caracteriza-se por um estreitamento ou achatamento uniforme da câmara anterior (tanto central quanto periférica) associado a uma pressão intraocular (PIO) significativamente elevada. Um ponto crucial para o diagnóstico diferencial é a presença de uma iridotomia periférica pérvia, o que exclui o bloqueio pupilar simples como causa da hipertensão ocular. Ocorre tipicamente após cirurgias intraoculares em olhos predispostos (geralmente olhos pequenos ou com ângulo estreito).

Qual a fisiopatologia do bloqueio ciliolenticular?

A fisiopatologia envolve o redirecionamento anômalo do humor aquoso para dentro ou atrás da cavidade vítrea. Isso cria uma pressão hidrostática posterior que desloca o corpo ciliar, a íris e o cristalino (ou lente intraocular) para frente. Esse deslocamento anterior anterioriza a face vítrea anterior, bloqueando o fluxo normal do aquoso para a câmara anterior, estabelecendo um ciclo vicioso de aumento de pressão no segmento posterior e colapso do segmento anterior.

Como é feito o tratamento inicial do glaucoma maligno?

O tratamento inicial é clínico e visa retrair o corpo vítreo e mover o diafragma iridocristaliniano para trás. Utilizam-se agentes cicloplégicos potentes (como atropina 1%) para relaxar o músculo ciliar e tensionar as zônulas, além de supressores do humor aquoso (betabloqueadores, alfa-agonistas, inibidores da anidrase carbônica) e agentes osmóticos (manitol IV) para reduzir o volume vítreo. Se o tratamento clínico falhar, procedimentos como capsulotomia posterior com YAG laser ou vitrectomia anterior podem ser necessários.

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