Glaucoma Maligno: Diagnóstico e Fatores de Risco

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022

Enunciado

Paciente fácico evolui com quadro de aumento importante da pressão intraocular e atalamia 15 horas após uma trabeculectomia. É correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Esse quadro ocular grave é mais prevalente em pacientes afácicos.
  2. B) O uso de cicloplégico tópico durante o pós-operatório imediato é fator de risco para esse quadro.
  3. C) Se há iridotomia pérvia, esse quadro não ocorre.
  4. D) Tipicamente, esse quadro ocorre em olhos com diâmetro anteroposterior menor que os da população em geral.

Pérola Clínica

Atalamia + PIO ↑ pós-trabeculectomia em olho curto = Glaucoma Maligno (Bloqueio Ciliar).

Resumo-Chave

O glaucoma maligno decorre do redirecionamento posterior do humor aquoso para o vítreo, empurrando o diafragma íris-cristalino para frente, típico em olhos pequenos.

Contexto Educacional

O glaucoma maligno é uma das complicações mais temidas da trabeculectomia. Sua fisiopatologia envolve um bloqueio ao nível do corpo ciliar que direciona o humor aquoso para dentro ou atrás da cavidade vítrea. Isso cria uma pressão posterior que desloca todo o segmento anterior para frente. A identificação de fatores de risco pré-operatórios, como olhos com diâmetro axial < 21mm e histórico de glaucoma de ângulo fechado, é crucial. O diagnóstico diferencial com descolamento coroidiano hemorrágico é feito pela ecografia, que no glaucoma maligno mostrará apenas o aumento do volume vítreo sem coleções supracoroidianas.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o glaucoma maligno?

Também chamado de síndrome do direcionamento anômalo do aquoso, caracteriza-se por uma câmara anterior rasa ou colabada (atalamia) associada a uma pressão intraocular (PIO) elevada, ocorrendo tipicamente após cirurgias intraoculares em pacientes com glaucoma de ângulo fechado. Diferencia-se do bloqueio pupilar pela presença de iridotomia patente que não resolve o quadro.

Por que o diâmetro anteroposterior menor é um risco?

Olhos curtos (hipermetropes, microftalmos) possuem um segmento anterior apinhado. Nesses olhos, a relação anatômica entre os processos ciliares, o cristalino e o vítreo anterior é muito próxima, facilitando o bloqueio da passagem anterior do aquoso e seu consequente acúmulo no espaço vítreo.

Qual o manejo imediato desse quadro?

O tratamento inicial é clínico, visando 'empurrar' o diafragma íris-cristalino para trás. Utilizam-se cicloplégicos potentes (atropina) para relaxar o músculo ciliar e tensionar a zônula, além de supressores do aquoso e agentes osmóticos (manitol) para reduzir o volume vítreo. Casos refratários podem exigir capsulotomia posterior com YAG laser ou vitrectomia anterior.

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