CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Paciente fácico evolui com quadro de aumento importante da pressão intraocular e atalamia 15 horas após uma trabeculectomia. É correto afirmar que:
Atalamia + PIO ↑ pós-trabeculectomia em olho curto = Glaucoma Maligno (Bloqueio Ciliar).
O glaucoma maligno decorre do redirecionamento posterior do humor aquoso para o vítreo, empurrando o diafragma íris-cristalino para frente, típico em olhos pequenos.
O glaucoma maligno é uma das complicações mais temidas da trabeculectomia. Sua fisiopatologia envolve um bloqueio ao nível do corpo ciliar que direciona o humor aquoso para dentro ou atrás da cavidade vítrea. Isso cria uma pressão posterior que desloca todo o segmento anterior para frente. A identificação de fatores de risco pré-operatórios, como olhos com diâmetro axial < 21mm e histórico de glaucoma de ângulo fechado, é crucial. O diagnóstico diferencial com descolamento coroidiano hemorrágico é feito pela ecografia, que no glaucoma maligno mostrará apenas o aumento do volume vítreo sem coleções supracoroidianas.
Também chamado de síndrome do direcionamento anômalo do aquoso, caracteriza-se por uma câmara anterior rasa ou colabada (atalamia) associada a uma pressão intraocular (PIO) elevada, ocorrendo tipicamente após cirurgias intraoculares em pacientes com glaucoma de ângulo fechado. Diferencia-se do bloqueio pupilar pela presença de iridotomia patente que não resolve o quadro.
Olhos curtos (hipermetropes, microftalmos) possuem um segmento anterior apinhado. Nesses olhos, a relação anatômica entre os processos ciliares, o cristalino e o vítreo anterior é muito próxima, facilitando o bloqueio da passagem anterior do aquoso e seu consequente acúmulo no espaço vítreo.
O tratamento inicial é clínico, visando 'empurrar' o diafragma íris-cristalino para trás. Utilizam-se cicloplégicos potentes (atropina) para relaxar o músculo ciliar e tensionar a zônula, além de supressores do aquoso e agentes osmóticos (manitol) para reduzir o volume vítreo. Casos refratários podem exigir capsulotomia posterior com YAG laser ou vitrectomia anterior.
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