CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024
Em relação ao glaucoma juvenil, é correto afirmar:
Glaucoma Juvenil = Início 3-35 anos + PIO muito alta + Frequentemente cirúrgico (refratário a colírios).
O glaucoma juvenil é uma forma agressiva de glaucoma de ângulo aberto que frequentemente exige intervenção cirúrgica (trabeculectomia) devido à falha do tratamento clínico.
O Glaucoma Primário de Ângulo Aberto Juvenil (GPAAJ) é uma entidade clínica distinta caracterizada por um início precoce e um curso clínico agressivo. Diferente das disgenesias angulares vistas no glaucoma congênito, o ângulo no glaucoma juvenil parece macroscopicamente normal à gonioscopia, embora existam defeitos microscópicos na malha trabecular. O diagnóstico precoce é vital, pois a perda visual pode ser rápida e assintomática até estágios avançados. O rastreamento de familiares de primeiro grau é obrigatório devido à forte penetrância genética. O tratamento inicial pode ser tentado com análogos de prostaglandinas e betabloqueadores, mas a taxa de falha clínica é alta, tornando a trabeculectomia (frequentemente com antimetabólitos como a Mitomicina C) o procedimento de escolha para preservação da visão a longo prazo.
O glaucoma congênito manifesta-se do nascimento até os 3 anos de idade, apresentando sinais de elasticidade ocular como buftalmo (olho grande), edema de córnea e estrias de Haab (rupturas na membrana de Descemet). O glaucoma juvenil inicia-se entre os 3 e 35 anos de idade. Nesta fase, a esclera e a córnea já são rígidas, portanto não há aumento do globo ocular ou estrias de Haab, assemelhando-se clinicamente ao glaucoma primário de ângulo aberto do adulto, porém com níveis de PIO muito mais elevados.
A maioria dos casos de glaucoma juvenil tem um padrão de herança autossômica dominante. O gene mais frequentemente associado é o MYOC (localizado no cromossomo 1), que codifica a proteína miocilina. Mutações nesse gene levam ao acúmulo de proteína mal dobrada no retículo endoplasmático das células da malha trabecular, resultando em disfunção trabecular e aumento severo da resistência ao escoamento do humor aquoso.
O glaucoma juvenil costuma apresentar pressões intraoculares (PIO) extremamente elevadas, muitas vezes acima de 40-50 mmHg. O tratamento clínico com colírios hipotensores geralmente é insuficiente para atingir a pressão alvo necessária para interromper a progressão do dano ao nervo óptico. Por isso, a maioria dos pacientes acaba necessitando de cirurgia filtrante, como a trabeculectomia ou implantes de drenagem, para controle pressórico adequado.
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