CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Qual das vias de administração de corticosteroides está mais associada ao aumento da pressão intraocular?
Corticoide tópico (colírio) ↑ Pressão Intraocular > Vias sistêmicas ou injetáveis.
A administração tópica ocular de corticosteroides gera altas concentrações locais na malha trabecular, aumentando a resistência ao escoamento do humor aquoso e elevando a PIO significativamente.
O glaucoma induzido por corticoides é uma forma de glaucoma secundário de ângulo aberto. A potência do corticoide e a duração do tratamento influenciam diretamente o risco: dexametasona e prednisolona são mais propensas a elevar a PIO do que fluorometolona ou loteprednol. O manejo envolve a interrupção do corticoide, se possível, ou a substituição por agentes com menor impacto na PIO. Se a pressão permanecer elevada, utilizam-se colírios hipotensores. É imperativo que qualquer paciente em uso prolongado de corticoides oculares tenha sua pressão intraocular monitorada regularmente por um oftalmologista.
O uso de corticosteroides tópicos aumenta a pressão intraocular (PIO) ao induzir alterações morfológicas e bioquímicas na malha trabecular. Eles aumentam a deposição de matriz extracelular (glicosaminoglicanos e proteínas como a miocilina) e reduzem a atividade fagocítica das células trabeculares. Isso resulta em uma maior resistência à drenagem do humor aquoso pelo canal de Schlemm, levando ao aumento da pressão.
Cerca de 5% a 30% da população geral apresenta um aumento significativo da PIO após o uso de corticoides tópicos (chamados de 'respondedores'). Esse número sobe para mais de 90% em pacientes que já possuem Glaucoma Primário de Ângulo Aberto. O aumento da pressão geralmente ocorre após 2 a 6 semanas de uso contínuo, mas pode ocorrer mais cedo em indivíduos suscetíveis.
Sim, corticosteroides administrados por via sistêmica, nasal ou inalatória podem aumentar a PIO, mas a magnitude e a frequência desse aumento são geralmente menores do que com a via tópica ocular. Isso ocorre porque a concentração da droga que atinge a malha trabecular via circulação sistêmica é muito inferior à concentração atingida pela penetração direta do colírio através da córnea.
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