Glaucoma Hemolítico: Fisiopatologia e Diagnóstico Diferencial

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2009

Enunciado

O glaucoma secundário à obstrução temporária do trabeculado por macrófagos que fagocitaram fragmentos de hemácias é chamado:

Alternativas

  1. A) Glaucoma hemosiderótico
  2. B) Glaucoma de células fantasmas
  3. C) Glaucoma hemolítico
  4. D) Síndrome de Wolf-Zimmermann

Pérola Clínica

Macrófagos + restos de hemácias no trabeculado = Glaucoma Hemolítico.

Resumo-Chave

O glaucoma hemolítico é uma forma de glaucoma secundário de ângulo aberto onde macrófagos carregados de hemoglobina obstruem a malha trabecular após hemorragia intraocular.

Contexto Educacional

O glaucoma hemolítico faz parte do espectro de glaucomas secundários induzidos por sangue. Diferencia-se do glaucoma hemosiderótico, onde o dano é causado pela toxicidade direta do ferro (proveniente da hemoglobina) nas células trabeculares, levando à esclerose do tecido. Na prática clínica, o diagnóstico é sugerido pela presença de células flutuantes avermelhadas ou acastanhadas na câmara anterior em um paciente com história de trauma ou hemorragia vítrea recente. A gonioscopia revela um ângulo aberto, muitas vezes com pigmentação acastanhada sobre o trabeculado, mimetizando um glaucoma pigmentar, mas com contexto clínico distinto.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia exata do glaucoma hemolítico?

O glaucoma hemolítico ocorre após uma hemorragia intraocular (geralmente vítrea). Com o tempo, as hemácias se lisam e liberam hemoglobina e restos celulares. Macrófagos migram para a câmara anterior para fagocitar esses detritos. Esses macrófagos repletos de pigmento e hemoglobina tornam-se volumosos e acabam obstruindo mecanicamente os espaços da malha trabecular, impedindo o escoamento do humor aquoso e elevando a pressão intraocular.

Como diferenciar glaucoma hemolítico de glaucoma de células fantasmas?

Embora ambos ocorram após hemorragia vítrea, a patogênese difere. No glaucoma hemolítico, a obstrução é causada por macrófagos. No glaucoma de células fantasmas, as hemácias perdem sua hemoglobina (tornando-se células fantasmas ou eritroclastos), tornam-se rígidas e menos maleáveis, perdendo a capacidade de atravessar o trabeculado. Clinicamente, as células fantasmas aparecem como minúsculas partículas cáqueas/amareladas na câmara anterior.

Qual o tratamento para o glaucoma hemolítico?

O tratamento inicial é clínico, focado na redução da pressão intraocular com supressores da produção de humor aquoso (betabloqueadores, inibidores da anidrase carbônica). Se a pressão permanecer incontrolável e houver persistência da hemorragia vítrea, a vitrectomia via pars plana é indicada para remover a fonte dos detritos hemáticos e macrófagos, resolvendo a causa base da obstrução trabecular.

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