CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010
Paciente com 80 anos de idade, apresentando acuidade visual reduzida, reclama de dor ocular súbita, acompanhada de hiperemia conjuntival. O exame oftalmológico revela pressão intraocular de 45 mmHg com reação de câmara anterior intensa, ausência de precipitados ceráticos e ângulo aberto. O diagnóstico mais provável é:
Idoso + catarata madura + PIO ↑↑ + ângulo aberto + sem KPs = Glaucoma Facolítico.
O glaucoma facolítico ocorre pelo extravasamento de proteínas de um cristalino hipermaduro, que obstroem o trabeculado após serem fagocitadas por macrófagos.
O glaucoma facolítico é uma forma clássica de glaucoma secundário de ângulo aberto que todo residente deve reconhecer. O quadro clínico de um paciente idoso com baixa visão crônica (catarata) que evolui com dor súbita e PIO muito elevada (frequentemente > 40-50 mmHg) é patognomônico quando associado ao achado de proteínas em suspensão na câmara anterior (flare intenso) e ausência de sinéquias ou precipitados. O diagnóstico diferencial inclui o glaucoma agudo de ângulo fechado (que apresentaria ângulo estreito à gonioscopia) e a uveíte hipertensiva (que geralmente apresenta precipitados ceráticos). A presença de material esbranquiçado sobre a cápsula anterior do cristalino e no ângulo pode ser observada, representando o acúmulo de proteínas e macrófagos.
A fisiopatologia baseia-se no extravasamento de proteínas cristalinianas de alto peso molecular através de microdefeitos na cápsula anterior de um cristalino hipermaduro (catarata de Morgagni). Essas proteínas, juntamente com macrófagos que as fagocitaram, acumulam-se na malha trabecular, obstruindo o escoamento do humor aquoso e gerando um aumento súbito e severo da pressão intraocular (PIO).
O glaucoma facolítico ocorre com cápsula íntegra (microvazamentos), ângulo aberto, ausência de precipitados ceráticos e reação inflamatória por obstrução mecânica/macrofágica. O glaucoma facoanafilático é uma reação de hipersensibilidade tipo IV que ocorre após a ruptura franca da cápsula (trauma ou cirurgia), apresentando precipitados ceráticos 'em gordura de carneiro' e intensa inflamação granulomatosa.
O tratamento definitivo é a extração da catarata (facectomia). Inicialmente, deve-se controlar a pressão intraocular com hipotensores tópicos e sistêmicos (como acetazolamida ou manitol) e reduzir a inflamação com corticosteroides tópicos. Uma vez que a PIO esteja controlada e o edema de córnea reduzido, a cirurgia deve ser realizada prontamente para remover a fonte das proteínas antigênicas.
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