Glaucoma Cortisônico: Riscos da Administração Tópica

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015

Enunciado

Qual via de administração de corticoide leva, mais frequentemente, ao glaucoma cortisônico?

Alternativas

  1. A) Tópica ocular
  2. B) Endovenosa
  3. C) Oral
  4. D) lnalatória

Pérola Clínica

Via tópica ocular → maior risco de glaucoma cortisônico devido à alta concentração direta no trabeculado.

Resumo-Chave

A administração tópica de corticoides é a que mais frequentemente causa aumento da pressão intraocular, pois a droga atinge diretamente a malha trabecular, reduzindo o escoamento do humor aquoso.

Contexto Educacional

O glaucoma cortisônico é uma forma de glaucoma secundário de ângulo aberto que pode levar à perda visual irreversível se não detectado. A potência do corticoide e a duração do tratamento são fatores determinantes. A dexametasona e a prednisolona tópicas são os principais culpados devido à sua alta penetração ocular. É dever de todo médico, não apenas do oftalmologista, estar ciente de que o uso prolongado de colírios de corticoide (muitas vezes usados inadvertidamente para 'olho vermelho' crônico) pode causar cegueira silenciosa. O monitoramento da pressão intraocular é obrigatório em qualquer paciente em uso crônico de esteroides, independentemente da via, embora a vigilância deva ser máxima na via tópica ocular.

Perguntas Frequentes

Qual o mecanismo fisiopatológico do glaucoma cortisônico?

Os corticoides aumentam a resistência ao escoamento do humor aquoso na malha trabecular. Eles induzem alterações na expressão gênica das células trabeculares, levando ao acúmulo de proteínas da matriz extracelular (como a miocilina) e alterações no citoesqueleto celular. Isso resulta em uma 'obstrução' funcional do dreno natural do olho. A via tópica ocular coloca a droga em contato direto e em alta concentração com essas estruturas, explicando por que é a via mais associada a esse efeito colateral.

Existem pacientes 'respondedores' aos corticoides?

Sim, a população é dividida em níveis de resposta. Cerca de 5-6% da população geral são 'altos respondedores', apresentando aumentos significativos da PIO (acima de 15 mmHg) após algumas semanas de uso de corticoide tópico. Outros 30% são respondedores moderados. Pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto ou seus parentes de primeiro grau têm uma probabilidade muito maior (até 90%) de serem altos respondedores, exigindo monitoramento rigoroso da pressão ocular.

Como manejar a hipertensão ocular induzida por corticoide?

O primeiro passo é a suspensão ou redução da dose do corticoide, se clinicamente possível. Frequentemente, a PIO retorna aos níveis basais em algumas semanas após a interrupção. Se o uso do corticoide for indispensável, pode-se trocar por 'esteroides de superfície' (como o loteprednol), que têm menor propensão a elevar a PIO. Caso a pressão permaneça alta, inicia-se o tratamento com colírios hipotensores (exceto análogos de prostaglandinas em casos de inflamação ativa) ou, em casos refratários, cirurgia de glaucoma.

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