CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
Paciente com 2 meses apresentando epífora, fotofobia e lacrimejamento desde o nascimento comparece para a primeira avaliação oftalmológica com edema corneano importante, PIO de 30 mmHg em ambos os olhos com CA aparentemente formada sem sinequias irianas ou catarata (exame com anestesia). Apresenta USG com aumento do diâmetro axial e sem descolamento de retina. Neste caso a conduta mais indicada seria:
Glaucoma congênito → Tríade (epífora, fotofobia, blefaroespasmo) + Buftalmo → Cirurgia (Goniotomia/Trabeculotomia).
O glaucoma congênito primário é uma emergência cirúrgica; o tratamento clínico é apenas adjuvante para clarear a córnea antes da goniotomia ou trabeculotomia.
O glaucoma congênito primário resulta do desenvolvimento anormal do ângulo da câmara anterior, levando à obstrução do fluxo de saída do humor aquoso. O aumento da pressão intraocular (PIO) em olhos jovens e elásticos causa o aumento do diâmetro axial e da córnea (buftalmo), além de estrias de Haab. O diagnóstico definitivo geralmente requer exame sob anestesia para medição da PIO, diâmetro corneano e avaliação do disco óptico. A conduta é essencialmente cirúrgica. A goniotomia e a trabeculotomia são as cirurgias de escolha (angulocirurgias), apresentando altas taxas de sucesso. A trabeculectomia com antimetabólitos é reservada para casos refratários devido ao maior risco de complicações em crianças, como hipotonia e endoftalmite tardia.
A tríade clássica consiste em epífora (lacrimejamento excessivo), fotofobia e blefaroespasmo. Esses sinais, associados ao aumento do diâmetro corneano (buftalmo) e edema de córnea, devem levantar suspeita imediata de glaucoma congênito primário.
Diferente do glaucoma no adulto, o congênito decorre de uma malformação estrutural no escoamento do humor aquoso (disgenesia do ângulo). Procedimentos como goniotomia ou trabeculotomia visam abrir mecanicamente essa via de drenagem obstruída.
A goniotomia exige visualização direta das estruturas do ângulo através de uma córnea transparente. Se houver edema corneano importante que impeça a visualização, a trabeculotomia (via externa) é a técnica preferencial.
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