CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2018
Com relação à cirurgia empregada em pacientes com glaucoma congênito evidenciada na figura abaixo, assinale a alternativa correta:
Trabeculotomia sem localização do canal de Schlemm → converter para Trabeculectomia.
A trabeculotomia é a cirurgia de escolha no glaucoma congênito; a falha técnica em canular o canal de Schlemm exige a conversão para um procedimento filtrante (trabeculectomia).
O glaucoma congênito primário é uma emergência cirúrgica oftalmológica decorrente da malformação do trabeculado (trabeculodisgenesia). O tratamento é eminentemente cirúrgico, visando restaurar a drenagem do humor aquário. As técnicas angulares (goniotomia e trabeculotomia) apresentam altas taxas de sucesso e menor perfil de complicações comparadas às cirurgias filtrantes. A trabeculotomia ab externo envolve a dissecção de um retalho escleral, identificação do canal de Schlemm e sua ruptura para o interior da câmara anterior. É a técnica de escolha em muitos centros brasileiros devido à frequência de casos diagnosticados tardiamente com edema de córnea importante. A habilidade de converter o procedimento para uma trabeculectomia intraoperatoriamente é uma competência essencial do cirurgião de glaucoma pediátrico.
Ambas visam reduzir a resistência ao escoamento do humor aquário no ângulo iridocorneano (membrana de Barkan). A goniotomia é realizada 'ab interno', exigindo visualização direta do ângulo através de uma córnea transparente e o uso de uma lente de goniossinerese. A trabeculotomia é realizada 'ab externo', através de uma incisão escleral para localizar e canular o canal de Schlemm, sendo a técnica preferencial quando a córnea está opaca devido ao edema, impedindo a visualização interna.
Durante a trabeculotomia, a localização precisa do canal de Schlemm é fundamental para a passagem do trabeculótomo. Em olhos com glaucoma congênito avançado (buftalmo), a anatomia pode estar muito distorcida, dificultando a identificação do canal. Se o cirurgião não consegue localizá-lo com segurança, a tentativa de prosseguir pode causar danos iatrogênicos. A conversão para trabeculectomia (cirurgia filtrante) garante uma via alternativa de drenagem para o controle da pressão intraocular.
Diferente da trabeculectomia em adultos, o uso de antifibróticos (como Mitomicina C) em cirurgias angulares primárias (goniotomia/trabeculotomia) não é necessário, pois o objetivo é abrir a via natural de drenagem e não criar uma fístula subconjuntival. No entanto, se a cirurgia for convertida para trabeculectomia ou em casos de reoperação, o uso de antifibróticos pode ser considerado, embora com extrema cautela devido ao risco de complicações a longo prazo em crianças, como hipotonia e endoftalmite.
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