UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022
Lactente de 1 mês de idade apresenta lacrimejamento e aparente aversão à luz há cerca de 2 semanas. AP: pré-natal sem intercorrências, gestação a termo, parto normal. Exame físico: fecha os olhos com força, principalmente à tentativa de avaliação dos olhos com uma lanterna, lacrimejamento bilateral, córnea de ambos os olhos com perda de transparência e aspecto azulado. A hipótese diagnóstica é:
Lactente com lacrimejamento, fotofobia e córnea azulada/opaca → Glaucoma Congênito até prova em contrário.
A tríade clássica do glaucoma congênito inclui lacrimejamento, fotofobia e blefaroespasmo. A perda de transparência e o aspecto azulado da córnea (edema corneano) são sinais graves de elevação da pressão intraocular, que pode levar à buftalmia (aumento do globo ocular) e cegueira se não tratada precocemente.
O glaucoma congênito é uma condição oftalmológica rara, mas grave, que afeta recém-nascidos e lactentes, caracterizada por uma elevação da pressão intraocular (PIO) devido a um desenvolvimento anormal do sistema de drenagem do humor aquoso. A tríade clássica de sintomas inclui lacrimejamento excessivo (epífora), fotofobia e blefaroespasmo. A descrição de córnea com perda de transparência e aspecto azulado é um sinal patognomônico de edema corneano, indicando PIO elevada e urgência diagnóstica e terapêutica. A buftalmia (aumento do globo ocular) é um sinal tardio, resultante da distensão das estruturas oculares elásticas do lactente pela pressão elevada. Para o residente, é fundamental reconhecer esses sinais precocemente, pois o glaucoma congênito é uma emergência oftalmológica. O diagnóstico diferencial inclui conjuntivite neonatal (que geralmente não causa córnea azulada ou fotofobia tão intensa) e catarata congênita (que causa opacificação do cristalino, não da córnea). A falha em diagnosticar e tratar o glaucoma congênito rapidamente pode resultar em cegueira irreversível devido ao dano ao nervo óptico e à córnea. O tratamento é predominantemente cirúrgico, visando restaurar o fluxo de humor aquoso e normalizar a PIO. O prognóstico visual depende diretamente da precocidade do diagnóstico e da eficácia do tratamento. A vigilância pós-operatória é essencial para monitorar a PIO e o desenvolvimento visual. Questões como esta reforçam a importância da semiologia pediátrica e do conhecimento das patologias congênitas para o residente.
Os sinais clássicos do glaucoma congênito incluem a tríade de lacrimejamento excessivo (epífora), fotofobia (aversão à luz) e blefaroespasmo (fechamento forçado das pálpebras). Outros achados importantes são o aumento do diâmetro corneano (megalocórnea), edema e opacificação da córnea (aspecto azulado) e, em casos avançados, buftalmia (aumento do globo ocular).
A córnea adquire um aspecto azulado devido ao edema corneano, que ocorre pela elevação da pressão intraocular (PIO). A alta PIO compromete a função das células endoteliais da córnea, responsáveis por manter a desidratação corneana, levando ao acúmulo de líquido e à perda de transparência.
O diagnóstico precoce é crucial porque o glaucoma congênito é uma condição grave que pode levar à cegueira irreversível se não for tratado. A intervenção cirúrgica oportuna para reduzir a pressão intraocular é fundamental para preservar a visão e o desenvolvimento visual da criança.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo