CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020
Sobre o glaucoma e as ceratoplastias penetrantes, é correto afirmar que:
Glaucoma prévio = ↑ risco de falência do botão doador em ceratoplastias penetrantes.
O glaucoma é uma das principais causas de falência de transplantes de córnea; a presença da doença antes da cirurgia compromete a sobrevida endotelial.
O manejo do glaucoma em pacientes candidatos à ceratoplastia penetrante é um desafio cirúrgico. A hipertensão ocular pós-operatória é comum e multifatorial, envolvendo desde o uso de corticosteroides até distorções anatômicas do ângulo. A literatura demonstra que a sobrevivência do enxerto é significativamente menor em olhos com glaucoma descontrolado ou que necessitam de múltiplos procedimentos pressóricos. Estudos indicam que a falência endotelial é a via final comum. O controle rigoroso da PIO, preferencialmente antes da realização do transplante, é fundamental. Em casos de cirurgias combinadas (transplante + tubo), o posicionamento do tubo deve ser meticuloso para evitar o contato com o endotélio do doador, o que causaria perda celular localizada e falência precoce.
O glaucoma prévio está associado a um ambiente ocular mais inflamado, flutuações na pressão intraocular (PIO) e, frequentemente, ao uso crônico de colírios com conservantes (como o cloreto de benzalcônio), que são tóxicos ao endotélio. Além disso, procedimentos cirúrgicos prévios para glaucoma podem alterar a dinâmica do humor aquoso e a barreira hemato-aquosa, facilitando a rejeição imunológica ou a perda acelerada de células endoteliais do novo enxerto.
Tradicionalmente, utiliza-se um botão doador ligeiramente maior (0,25 mm a 0,50 mm) que o leito receptor para evitar o achatamento excessivo da córnea e o fechamento do ângulo iridocorneano, o que reduziria o risco de glaucoma pós-operatório. Botões do mesmo tamanho ou menores que o receptor tendem a retificar a curvatura corneana, tracionando a periferia da íris e favorecendo o glaucoma de ângulo fechado secundário.
A ceratite herpética é um fator de risco significativo tanto para o desenvolvimento de glaucoma secundário (devido a trabeculite e sinéquias) quanto para a falência do transplante. A reativação viral no enxerto ou a inflamação crônica estromal aumentam as chances de rejeição imunológica e falência primária, exigindo profilaxia antiviral rigorosa no período perioperatório.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo