CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Paciente com história de hemorragia vítrea apresenta, ao exame oftalmológico: pressão intraocular: 32mmHg, células de coloração cáqui na câmara anterior e no endotélio, sem neovasos. O diagnóstico mais provável é de glaucoma:
Hemorragia vítrea crônica + células cáqui na CA + PIO ↑ = Glaucoma de células fantasmas.
Ocorre quando hemácias desidratadas (fantasmas) perdem hemoglobina, tornam-se rígidas e migram do vítreo para a câmara anterior, obstruindo o trabeculado.
O glaucoma de células fantasmas é uma entidade clínica clássica em provas de oftalmologia, exigindo o reconhecimento da tríade: história de hemorragia vítrea, PIO elevada e presença de células pequenas e amareladas/cáqui na câmara anterior. A fisiopatologia reside na perda de maleabilidade do eritrócito, que ao se tornar um 'fantasma', atua como um corpo estranho particulado no sistema de drenagem ocular. Clinicamente, o ângulo da câmara anterior apresenta-se aberto, mas pode haver um depósito dessas células sobre o trabeculado, assemelhando-se a um 'pseudohifema' de cor clara. É fundamental diferenciar de processos neovasculares, onde haveria rubeosis iridis, ausente neste quadro.
É um glaucoma secundário de ângulo aberto que ocorre após uma hemorragia vítrea persistente. As hemácias no vítreo perdem sua hemoglobina em cerca de 1 a 3 semanas, tornando-se esferócitos rígidos e de coloração cáqui (células fantasmas). Quando a hialoide anterior é rompida (por trauma ou cirurgia), essas células migram para a câmara anterior e obstruem mecanicamente a malha trabecular, elevando a pressão intraocular.
No glaucoma hemolítico, a obstrução trabecular é causada por macrófagos que fagocitaram restos de hemoglobina e detritos de hemácias. Já no glaucoma de células fantasmas, a obstrução é feita diretamente pelas hemácias desidratadas e rígidas que não conseguem passar pelos poros do trabeculado devido à perda de sua flexibilidade natural.
O tratamento inicial foca no controle da pressão intraocular com medicações hipotensoras (supressores de humor aquoso). Em casos refratários ou com PIO muito elevada, a lavagem da câmara anterior ou a vitrectomia via pars plana para remover o reservatório de células fantasmas no vítreo podem ser necessárias.
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