CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2024
Paciente masculino vítima de trauma contuso no olho esquerdo há três meses, evoluiu com hemorragia vítrea, retina aplicada e o seguinte achado na biomicroscopia. Apresenta pressão intraocular de 25 mmHg neste olho Assinale a alternativa correta.
Hemorragia vítrea crônica + rotura de hialoide → Células fantasma (eritrócitos rígidos) obstruem o trabeculado.
O glaucoma de células fantasma ocorre quando hemácias degeneradas (rígidas e esféricas) migram do vítreo para a câmara anterior através de brechas na hialoide, bloqueando a drenagem do humor aquoso.
O glaucoma de células fantasma é uma forma secundária de glaucoma de ângulo aberto. Ele se manifesta tipicamente 2 a 4 semanas após uma hemorragia vítrea, quando as hemácias começam a degenerar. A rigidez dessas células é o fator patogênico crucial, impedindo sua passagem pelos poros da malha trabecular. Clinicamente, observa-se um aquoso com aspecto de 'poeira' ou um hipópio de cor cáqui (amarelado/acastanhado). É essencial diferenciar de processos inflamatórios ou neovasculares. O histórico de trauma contuso com hemorragia vítrea persistente é o principal sinal de alerta para o diagnóstico.
Células fantasma são eritrócitos que perderam sua hemoglobina e se tornaram esferas rígidas e vazias (khaki-colored). Diferente das hemácias normais, que são flexíveis e atravessam facilmente a malha trabecular, essas células degeneradas são rígidas e ficam presas nos espaços trabeculares, causando um aumento mecânico da pressão intraocular.
Para que o glaucoma de células fantasma ocorra, deve haver uma hemorragia vítrea prévia (geralmente semanas ou meses antes) e uma comunicação entre o segmento posterior e anterior. Essa comunicação ocorre por roturas na hialoide anterior, seja por trauma, cirurgia prévia (como vitrectomia ou extração de catarata) ou procedimentos de laser.
O tratamento inicial é clínico, visando reduzir a pressão intraocular com colírios hipotensores. No entanto, se a PIO permanecer incontrolável e houver grande quantidade de células, o tratamento definitivo costuma ser a lavagem da câmara anterior ou, mais comumente, a vitrectomia via pars plana para remover o reservatório de células fantasma e sangue degenerado no vítreo.
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