CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012
Estresse, fadiga e esforço de leitura são fatores associados a:
Estresse/Leitura → Midríase/Acomodação → Bloqueio pupilar → Glaucoma de ângulo fechado.
Fatores que induzem midríase fisiológica (estresse, fadiga) ou esforço acomodativo (leitura) podem precipitar o fechamento do ângulo em olhos anatomicamente predispostos.
O glaucoma de ângulo fechado é uma emergência oftalmológica caracterizada pela obstrução do escoamento do humor aquoso pelo fechamento do ângulo iridocorneano. A anatomia ocular (olhos hipermétropes, cristalinos volumosos, câmara rasa) é o principal fator de risco. O entendimento dos gatilhos é crucial para a prevenção e orientação do paciente. Clinicamente, a diferenciação entre o glaucoma de ângulo aberto e o fechado é fundamental, pois o manejo inicial difere drasticamente. Enquanto o primeiro é crônico e assintomático, o segundo requer intervenção imediata com agentes hipotensores, corticoides tópicos e, definitivamente, a realização de iridotomia periférica a laser para quebrar o bloqueio pupilar.
O estresse emocional ativa o sistema nervoso simpático, resultando em midríase (dilatação pupilar). Em pacientes com predisposição anatômica, como câmara anterior rasa ou ângulo estreito, a midríase média favorece o bloqueio pupilar. Isso impede a passagem do humor aquoso da câmara posterior para a anterior, aumentando a pressão atrás da íris, que é empurrada para frente (íris bombê), fechando o ângulo iridocorneano e causando um aumento súbito e severo da pressão intraocular (PIO).
O esforço de leitura envolve o processo de acomodação, mediado pela contração do músculo ciliar e aumento da espessura anteroposterior do cristalino. Esse aumento do volume do cristalino, associado à miose fisiológica da leitura, pode aumentar o contato iridocristaliniano, exacerbando o bloqueio pupilar em olhos com dimensões reduzidas. Esse mecanismo contribui para o estreitamento do ângulo e pode precipitar a crise em indivíduos suscetíveis.
O paciente tipicamente apresenta dor ocular intensa e súbita, cefaleia ipsilateral (muitas vezes confundida com enxaqueca), visão borrada, percepção de halos coloridos ao redor das luzes e sintomas autonômicos como náuseas e vômitos. Ao exame, observa-se olho vermelho (injeção ciliar), edema de córnea, pupila em midríase média paralítica e uma pressão intraocular extremamente elevada, frequentemente acima de 40-50 mmHg.
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