UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2025
Em relação às mutações no receptor tirosina-quinase KIT em tumores estromais gastrointestinais (GISTs), qual das alternativas abaixo descreve corretamente a prevalência e as características dessas mutações?
GIST = Expressão de CD117 (KIT) em >95% dos casos; mutações no exon 11 são as mais comuns.
O GIST é caracterizado pela ativação constitutiva do receptor KIT ou PDGFRA. O CD117 é o marcador imuno-histoquímico padrão-ouro para o diagnóstico diferencial.
O GIST é o tumor mesenquimal mais comum do trato gastrointestinal, originando-se das células intersticiais de Cajal. A fisiopatologia central envolve a ativação oncogênica de receptores tirosina-quinase, principalmente o KIT (80%) e o PDGFRA (10%). O diagnóstico baseia-se na morfologia (células fusiformes ou epitelioides) e na imuno-histoquímica positiva para CD117 e DOG1. A diferenciação de tumores musculares lisos é feita pela negatividade da desmina no GIST. O advento do imatinibe, um inibidor seletivo de tirosina-quinase, transformou o prognóstico da doença metastática ou irressecável, tornando o GIST um modelo de sucesso para a terapia-alvo na oncologia.
O CD117 é a porção extracelular do receptor tirosina-quinase KIT. Cerca de 95% dos GISTs expressam o CD117 de forma intensa e difusa na imuno-histoquímica. Essa expressão decorre, na maioria das vezes, de mutações ativadoras no gene KIT que levam à sinalização celular descontrolada para crescimento e sobrevivência. A detecção do CD117 é fundamental para diferenciar o GIST de outros tumores mesenquimais do trato gastrointestinal, como leiomiomas, leiomiossarcomas e schwannomas, que são tipicamente CD117 negativos.
As mutações no gene KIT ocorrem em aproximadamente 75-80% dos GISTs. A localização mais frequente é no exon 11 (cerca de 70% dos casos), que codifica o domínio justamembrana do receptor. Mutações no exon 9 (domínio extracelular) são a segunda mais comum (10-15%) e estão frequentemente associadas a tumores do intestino delgado. Conhecer o exon mutado tem implicações terapêuticas: mutações no exon 9 geralmente requerem doses maiores de imatinibe (800mg) em comparação às mutações no exon 11 (400mg).
GISTs 'wild-type' são aqueles que não apresentam mutações detectáveis nos genes KIT ou PDGFRA. Eles representam cerca de 10-15% dos casos em adultos e a maioria dos casos pediátricos. Esses tumores frequentemente apresentam outras alterações moleculares, como mutações no complexo da succinato desidrogenase (SDH), mutações BRAF ou fusões de genes NTRK. O manejo clínico desses casos é distinto, pois eles costumam ser menos responsivos aos inibidores de tirosina-quinase convencionais como o imatinibe.
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