IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2025
Um senhor de 60 procurou atendimento ambulatorial com queixas de ginecomastia. Refere hipertensão arterial e insuficiência cardíaca em uso de losartana 50mg 2x/dia, carvedilol 25mg 2x/dia, furosemida 40mg/dia, espironolactona 25mg/dia e dapaglifozina 10mg/dia. Assinale a alternativa correta em relação a modificação recomendada na sua terapêutica.
Espironolactona → Ginecomastia. Trocar por Eplerenona para evitar.
A espironolactona, um antagonista da aldosterona, é conhecida por causar ginecomastia devido à sua ação antiandrogênica e estrogênica. Em pacientes com insuficiência cardíaca que desenvolvem esse efeito adverso, a troca por eplerenona, que tem menor afinidade pelos receptores androgênicos, é a conduta recomendada para manter o benefício cardiovascular com menor risco de ginecomastia.
A ginecomastia é o aumento benigno do tecido glandular mamário masculino, que pode ser fisiológica, patológica ou induzida por medicamentos. Em pacientes idosos, especialmente aqueles com múltiplas comorbidades e polifarmácia, a ginecomastia medicamentosa é uma causa comum e um desafio no manejo clínico, sendo um tema relevante para a prática do residente. A espironolactona, um diurético poupador de potássio e antagonista do receptor de aldosterona, é amplamente utilizada no tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, devido aos seus benefícios comprovados na mortalidade e morbidade. No entanto, um de seus efeitos adversos mais conhecidos é a ginecomastia, que ocorre devido à sua ação antiandrogênica e estrogênica, podendo impactar a qualidade de vida do paciente e a adesão ao tratamento. Quando a ginecomastia se torna um problema para o paciente em uso de espironolactona, a eplerenona surge como uma alternativa terapêutica. A eplerenona é um antagonista seletivo da aldosterona, com menor afinidade pelos receptores de andrógenos e progesterona, resultando em um risco significativamente menor de ginecomastia, mantendo os benefícios cardiovasculares. A troca é uma conduta prática e eficaz para melhorar a qualidade de vida do paciente sem comprometer o tratamento da insuficiência cardíaca.
A espironolactona, além de seu efeito diurético e antagonista da aldosterona, possui atividade antiandrogênica e estrogênica. Ela se liga a receptores de andrógenos e estrógenos, alterando o balanço hormonal e levando ao desenvolvimento de ginecomastia em alguns pacientes.
A eplerenona é um antagonista seletivo da aldosterona que não possui as propriedades antiandrogênicas e estrogênicas da espironolactona. Por isso, é uma excelente alternativa para pacientes com insuficiência cardíaca que desenvolvem ginecomastia, mantendo os benefícios cardiovasculares com menor risco desse efeito adverso.
Além da espironolactona, outros medicamentos que podem causar ginecomastia incluem digoxina, cimetidina, cetoconazol, metronidazol, bloqueadores dos canais de cálcio (como verapamil e nifedipino), inibidores da bomba de prótons e alguns antirretrovirais, devido a diferentes mecanismos de ação hormonal ou metabólica.
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