Adenomiose: Diagnóstico e Tratamento com DIU de Levonorgestrel

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022

Enunciado

A.M.S., 44 anos GII/PII/AO 2PC, laqueadura tubária, encontra-se em acompanhamento ginecológico por dismenorreia importante associada a aumento de fluxo menstrual surgido nos últimos anos, com caráter progressivo. Realizou exames com RM, apresentando útero globoso com aumento de volume (210 cm³), assimetria de paredes uterinas, heterogeneidade difusa e cistos miometriais. Diante do quadro, qual a hipótese diagnóstica e a primeira linha de conduta terapêutica?

Alternativas

  1. A) Adenomiose; Dispositivo intrauterino de levonorgestrel
  2. B) Miomatose uterina; Histerectomia total
  3. C) Adenomiose; Histerectomia total
  4. D) Miomatose uterina; Contraceptivos hormonais

Pérola Clínica

Adenomiose = útero globoso, heterogêneo, cistos miometriais + dismenorreia/menorragia → DIU levonorgestrel 1ª linha.

Resumo-Chave

A adenomiose é caracterizada pela presença de tecido endometrial ectópico no miométrio, causando sintomas como dismenorreia intensa e sangramento uterino anormal. O diagnóstico é fortemente sugerido pela RM e o DIU de levonorgestrel é a primeira linha de tratamento conservador devido à sua ação local.

Contexto Educacional

A adenomiose é uma condição ginecológica comum, caracterizada pela presença de glândulas e estroma endometriais no miométrio, o que leva a uma hipertrofia e hiperplasia do músculo liso uterino circundante. Sua prevalência é subestimada, mas afeta mulheres em idade reprodutiva, sendo mais comum em multíparas na quarta e quinta décadas de vida. A importância clínica reside no impacto significativo na qualidade de vida das pacientes devido a sintomas debilitantes. A fisiopatologia envolve a invasão do endométrio basal no miométrio, resultando em uma resposta inflamatória e hipertrofia muscular. Os sintomas clássicos incluem dismenorreia secundária e progressiva, menorragia e, por vezes, dor pélvica crônica. O diagnóstico é suspeitado pela clínica e exame físico (útero aumentado e doloroso), e confirmado por exames de imagem, sendo a ressonância magnética (RM) o padrão-ouro, que revela um útero globoso, assimetria das paredes, heterogeneidade difusa e cistos miometriais. O tratamento da adenomiose visa o alívio dos sintomas. Para pacientes que desejam preservar a fertilidade ou evitar cirurgia, o tratamento clínico é a primeira linha. O dispositivo intrauterino (DIU) liberador de levonorgestrel é altamente eficaz, pois libera progestágeno localmente, induzindo atrofia endometrial e reduzindo o sangramento e a dor. Outras opções incluem anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para dor e contraceptivos hormonais combinados. A histerectomia é o tratamento definitivo para casos refratários ou quando a fertilidade não é mais uma preocupação.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da adenomiose?

Os sintomas mais comuns da adenomiose incluem dismenorreia intensa e progressiva, menorragia (aumento do fluxo menstrual) e, em alguns casos, dor pélvica crônica.

Como a ressonância magnética auxilia no diagnóstico da adenomiose?

A RM é o exame de imagem mais sensível para adenomiose, mostrando um útero globoso, aumento assimétrico das paredes uterinas, heterogeneidade difusa do miométrio e a presença de pequenos cistos miometriais.

Por que o DIU de levonorgestrel é considerado a primeira linha de tratamento para adenomiose?

O DIU de levonorgestrel libera progestágeno localmente, induzindo atrofia endometrial e reduzindo o sangramento e a dor associados à adenomiose, sendo uma opção eficaz e conservadora.

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