Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
O SUS traz como um dos seus pontos principais a democratização e a descentralização do poder para os municípios. Para que isso pudesse acontecer, os conselhos tripartites foram implementados – com a participação de trabalhadores da saúde, gestores e usuários das três instâncias de governo (federal, estadual e municipal) – e paritários – com os representantes em pé de igualdade. Foi a partir dessa forma de organização que se tornaram efetivos os Conselhos Nacional, Estaduais, Municipais e as Conferências de Saúde, permitindo, então, que a participação e o controle popular pudessem crescer cada vez mais. A despeito dessa estrutura, favorecendo a participação conjunta na construção do cuidado, há problemas importantes a serem vencidos para que se torne realidade. Assinale a alternativa que apresenta um desses problemas a ser vencido:
Fragmentação do trabalho por categorias profissionais → barreira à gestão participativa no SUS.
A organização do trabalho centrada em núcleos profissionais isolados dificulta a construção de objetivos comuns e a efetivação do controle social.
A descentralização do SUS transferiu responsabilidades para os municípios, exigindo estruturas de controle social robustas. Os Conselhos de Saúde (Nacional, Estaduais e Municipais) e as Conferências são os pilares dessa participação. No entanto, a prática enfrenta barreiras como o corporativismo e a organização do trabalho baseada em silos profissionais, que impedem uma visão holística e compartilhada da gestão. A superação desses desafios passa pela educação permanente e pela mudança na cultura organizacional das unidades de saúde.
A paridade, estabelecida pela Lei 8.142/90 e pela Resolução 453/2012 do CNS, determina que 50% dos membros dos conselhos devem ser representantes dos usuários. Os outros 50% são divididos entre trabalhadores da saúde (25%) e gestores/prestadores de serviço (25%). Essa estrutura visa garantir que a voz da comunidade tenha peso igual à soma dos interesses técnicos e administrativos, promovendo a democratização das decisões sobre políticas públicas de saúde em todas as esferas de governo.
Os Conselhos de Saúde são órgãos permanentes e deliberativos que atuam na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros. Já as Conferências de Saúde ocorrem a cada quatro anos com representação dos vários segmentos sociais para avaliar a situação de saúde e propor as diretrizes para a formulação da política de saúde nos níveis correspondentes. Enquanto o conselho é contínuo, a conferência é um evento periódico de planejamento macro.
A fragmentação ocorre quando o processo de trabalho é guiado estritamente pelo saber técnico de cada profissão isoladamente, em vez de focar nas necessidades do usuário e em objetivos comuns da equipe. Isso gera feudos de poder e dificulta a gestão participativa, pois as decisões tendem a ser corporativistas. Para superar isso, o SUS propõe a clínica ampliada e o trabalho interprofissional, onde o foco é o projeto terapêutico singular e a construção coletiva do cuidado, transcendendo as barreiras das categorias profissionais.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo