UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2022
Gestante, 17 anos, IG = 30 semanas, queixa-se de cólicas fortes com inicio há aproximadamente 8 horas. Exame obstétrico: presença de 2 contrações em 10 minutos, com duração de 35 segundos; colo centralizado, 80% apagado e com dilatação de 2cm; bolsa íntegra; batimentos cardíacos fetais (BCF) = 145bpm, regular. O fármaco mais adequado a ser utilizado na tocólise é:
Tocólise em trabalho de parto prematuro < 34 semanas → Nifedipina é a primeira escolha (menos efeitos colaterais).
A nifedipina é o tocolítico de primeira linha para inibição do trabalho de parto prematuro entre 24 e 34 semanas de gestação, devido à sua eficácia e perfil de segurança favorável em comparação com os beta-agonistas, que possuem mais efeitos cardiovasculares maternos.
O trabalho de parto prematuro, definido como o início das contrações uterinas regulares com modificações cervicais antes de 37 semanas de gestação, é uma das principais causas de morbimortalidade neonatal. A tocólise visa prolongar a gestação por 48 horas, tempo suficiente para a administração de corticoesteroides para maturação pulmonar fetal e, se necessário, a transferência da gestante para um centro com UTI neonatal. A escolha do tocolítico é crucial. A nifedipina, um bloqueador dos canais de cálcio, é atualmente a droga de primeira linha para a tocólise entre 24 e 34 semanas de gestação. Ela age inibindo o influxo de cálcio nas células miometriais, reduzindo a contratilidade uterina. Seu perfil de segurança é favorável, com efeitos colaterais maternos geralmente leves, como cefaleia, rubor e hipotensão. Outros tocolíticos, como os beta-agonistas (terbutalina, salbutamol, ritodrina), embora eficazes, são associados a um maior risco de efeitos adversos cardiovasculares maternos (taquicardia, arritmias, isquemia miocárdica, edema pulmonar) e metabólicos (hiperglicemia, hipocalemia), sendo geralmente considerados de segunda linha ou para situações específicas. O sulfato de magnésio, além de tocolítico, é indicado para neuroproteção fetal em gestações < 32 semanas.
A tocólise é indicada para gestantes com trabalho de parto prematuro entre 24 e 34 semanas de gestação, com colo uterino dilatado (geralmente >2 cm) e contrações uterinas regulares, na ausência de contraindicações maternas ou fetais.
A nifedipina, um bloqueador de canal de cálcio, é preferida devido à sua eficácia comparável e menor incidência de efeitos colaterais maternos graves (como taquicardia, arritmias, edema pulmonar) em comparação com os beta-agonistas.
As contraindicações incluem corioamnionite, pré-eclâmpsia grave, descolamento prematuro de placenta, restrição de crescimento fetal grave, anomalias fetais incompatíveis com a vida, óbito fetal e hemorragia uterina ativa.
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