Gestações Monocoriônicas Monoamnióticas: Riscos e Manejo Obstétrico

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021

Enunciado

Primigesta de 34 semanas, sem pré-natal, chega à maternidade com quadro de sangramento vaginal intenso. Exame obstétrico: altura uterina: 39 cm; toque: colo fechado e com apresentação inatingível. Submetida a cesárea de urgência. A foto apresenta um momento do intraparto:A CONDIÇÃO APRESENTADA NA FOTO ESTÁ ASSOCIADA À GESTAÇÃO:

Alternativas

  1. A) Gemelar monocoriônica e monoamniótica.
  2. B) Pré-termo complicada por rotura de vasa prévia.
  3. C) Gemelar monocoriônica e diamniótica.
  4. D) Pré-termo com polidrâmnio e prolapso de cordão.

Pérola Clínica

Gestações monocoriônicas monoamnióticas → Alto risco de entrelaçamento de cordões umbilicais e complicações fetais graves.

Resumo-Chave

Gestações gemelares monocoriônicas monoamnióticas são de altíssimo risco devido à ausência de septo amniótico, o que permite o contato e entrelaçamento dos cordões umbilicais, levando a compressão e restrição de fluxo sanguíneo, resultando em sofrimento fetal agudo e sangramento.

Contexto Educacional

As gestações gemelares representam um desafio obstétrico significativo, e as gestações monocoriônicas monoamnióticas (MCMA) são a forma mais rara e de maior risco entre elas, ocorrendo em cerca de 1% das gestações gemelares. Caracterizam-se por dois fetos que compartilham a mesma placenta (monocoriônicas) e o mesmo saco amniótico (monoamnióticas), sem um septo que os separe. A ausência do septo amniótico é o fator que confere o maior risco a essas gestações, pois permite que os cordões umbilicais dos dois fetos se entrelacem livremente. Esse entrelaçamento pode levar à compressão dos vasos umbilicais, resultando em restrição do fluxo sanguíneo, hipóxia fetal, sofrimento fetal agudo e, em casos graves, óbito de um ou ambos os fetos. A mortalidade perinatal em gestações MCMA pode ser tão alta quanto 50%. O manejo dessas gestações requer vigilância intensiva, com ultrassonografias seriadas para monitorar o crescimento fetal, a quantidade de líquido amniótico e, crucialmente, a presença e a gravidade do entrelaçamento dos cordões. O parto é geralmente antecipado por cesariana eletiva, tipicamente entre 32 e 34 semanas, após a administração de corticosteroides para maturação pulmonar fetal, a fim de evitar os riscos associados ao trabalho de parto e ao entrelaçamento progressivo dos cordões. O cenário da questão, com sangramento intenso e apresentação inatingível, sugere uma complicação aguda grave, compatível com o entrelaçamento de cordões em uma gestação MCMA.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais complicações de uma gestação monocoriônica monoamniótica?

As principais complicações incluem o entrelaçamento dos cordões umbilicais, que pode levar à compressão e restrição do fluxo sanguíneo, resultando em sofrimento fetal agudo, óbito fetal, prematuridade e síndrome de transfusão feto-fetal (embora mais comum em diamnióticas, pode ocorrer).

Como é feito o diagnóstico de uma gestação monocoriônica monoamniótica?

O diagnóstico é feito por ultrassonografia no primeiro trimestre, observando-se a presença de uma única placenta (monocoriônica) e a ausência de um septo amniótico entre os fetos (monoamniótica). O acompanhamento ultrassonográfico é crucial para monitorar complicações.

Qual a conduta obstétrica em caso de gestação monocoriônica monoamniótica?

Devido ao alto risco de entrelaçamento de cordões e sofrimento fetal, o parto geralmente é programado por cesariana eletiva entre 32 e 34 semanas de gestação, após a maturação pulmonar fetal. Monitoramento fetal intensivo é necessário durante a gestação e no trabalho de parto.

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