Sangramento no 1º Trimestre: Conduta e USG de Seguimento

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente primigesta, demonstrando-se extremamente ansiosa, deu entrada no PSGO com queixa de sangramento vaginal em borra de café em mínima quantidade. IG dum: 6 semanas. Sem ultrassonografia prévia. Solicitada ultrassonografia que demonstrou saco gestacional intraútero com diâmetro médio de 15 mm, sem sinais de descolamento retroovular. Identificada vesícula vitelínica, mas não identificados embrião ou batimentos cardíacos embrionários. A conduta adequada é

Alternativas

  1. A) solicitar beta HCG quantitativo.
  2. B) orientar a paciente com relação ao provável diagnóstico de aborto retido, já que não houve evolução da gestação, e aguardar expulsão espontânea.
  3. C) repetir novo ultrassom transvaginal em cerca de 10-14 dias.
  4. D) internação e realização de AMIU (aspiração manual intrauterina), pois acarreta menor risco de perfuração uterina.

Pérola Clínica

Sangramento 1º trimestre + USG sem embrião/BCC com SG > 15mm → repetir USG em 10-14 dias para confirmar viabilidade.

Resumo-Chave

Em gestações precoces com sangramento e ultrassonografia inconclusiva (saco gestacional visível, mas sem embrião ou batimentos cardíacos), é crucial evitar diagnósticos precipitados de aborto. A repetição do ultrassom transvaginal após 10-14 dias permite reavaliar a evolução da gestação e confirmar a presença de estruturas embrionárias.

Contexto Educacional

O sangramento vaginal no primeiro trimestre é uma queixa comum que gera grande ansiedade na paciente e exige uma abordagem cautelosa do médico. A etiologia pode variar desde causas benignas, como sangramento de implantação ou ectrópio cervical, até condições mais graves como ameaça de aborto, aborto em curso ou gravidez ectópica. A avaliação inicial deve incluir anamnese detalhada, exame físico e ultrassonografia transvaginal. A ultrassonografia transvaginal é a ferramenta diagnóstica mais importante para avaliar a viabilidade e localização da gestação. Em casos de gestação muito precoce, pode haver um saco gestacional visível, mas sem embrião ou batimentos cardíacos. Nesses cenários, é crucial não precipitar o diagnóstico de aborto retido. Critérios específicos de tamanho do saco gestacional e do embrião (CCN) são utilizados para definir a viabilidade. Quando a ultrassonografia inicial é inconclusiva, a conduta mais adequada é repetir o exame em 10 a 14 dias. Esse intervalo permite a evolução da gestação e a visualização de estruturas que podem não estar presentes em um estágio muito inicial, evitando diagnósticos errôneos e intervenções desnecessárias. A orientação e o suporte emocional à paciente são fundamentais durante esse período de espera.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios ultrassonográficos para diagnosticar aborto retido no primeiro trimestre?

O diagnóstico definitivo de aborto retido inclui a ausência de embrião com saco gestacional ≥ 25 mm ou ausência de batimentos cardíacos embrionários com embrião com CCN ≥ 7 mm.

Por que é importante repetir o ultrassom transvaginal em gestações precoces com sangramento?

A repetição do ultrassom é fundamental para diferenciar uma gestação de viabilidade indeterminada de um aborto, permitindo que o embrião e os batimentos cardíacos se tornem visíveis caso a gestação seja viável e mais jovem do que o estimado.

Quais são as causas mais comuns de sangramento vaginal no início da gravidez?

As causas incluem implantação, ectrópio cervical, pólipos, infecções, aborto espontâneo (ameaça, incompleto, retido) e gravidez ectópica.

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