INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Uma gestante de 28 anos de idade, primigesta, comparece à Unidade Básica de Saúde no dia 25 de junho de 2015, relatando que “seu bebê passou da data de nascer”. Ao verificar o cartão da gestante, o médico encontrou anotação de data da última menstruação de 06/09/2014 e realização de ultrassonografia em 01/11/2014, mostrando idade gestacional de 08 semanas pela biometria fetal. Ao exame obstétrico: altura uterina = 34 cm, feto único, cefálico, insinuado, frequência cardíaca fetal = 140 bpm sem desacelerações, colo apagado 50%, fechado e pressão arterial = 100 x 60 mmHg. Após essa avaliação, qual seria a conduta apropriada?
Gestação ≥ 41 semanas → Encaminhar para avaliação de vitalidade e provável indução do parto.
Atingidas 41 semanas de gestação, o risco de insuficiência placentária aumenta, exigindo encaminhamento para ambiente hospitalar para monitorização da vitalidade fetal e planejamento da interrupção da gravidez.
O cálculo preciso da idade gestacional (IG) é o primeiro passo no manejo da gestação prolongada. O padrão-ouro é a ultrassonografia precoce (primeiro trimestre). No caso clínico, a USG de 01/11/2014 com 8 semanas confirma que em 25/06/2015 a paciente está com 41 semanas e 5 dias. A conduta em gestações que alcançam 41 semanas deve ser o encaminhamento para avaliação em nível secundário/terciário. Lá, realiza-se a avaliação do colo uterino (Índice de Bishop) e da vitalidade fetal. Se o bem-estar fetal estiver preservado, a indução do parto é a conduta preferencial, reservando a cesariana para indicações obstétricas habituais ou falha de indução.
Uma gestação é considerada a termo entre 37 semanas e 41 semanas e 6 dias. A partir de 42 semanas completas (294 dias), é classificada como pós-termo ou pós-datismo. No entanto, o termo 'gestação prolongada' é frequentemente usado para descrever gravidezes que ultrapassam as 41 semanas, momento em que a conduta ativa de vigilância e indução começa a ser discutida devido ao aumento da morbimortalidade perinatal.
A indução do parto às 41 semanas é recomendada porque estudos mostram que a conduta ativa reduz a incidência de síndrome de aspiração de mecônio e morte perinatal em comparação com a conduta expectante. Além disso, a placenta sofre um processo de envelhecimento fisiológico que pode levar à insuficiência placentária, oligodramnia e sofrimento fetal agudo se a gestação se prolongar excessivamente.
Os principais métodos de avaliação da vitalidade fetal na gestação prolongada incluem a cardiotocografia (CTG) para avaliar a frequência cardíaca fetal e sua reatividade, o perfil biofísico fetal (PBF) que combina ultrassonografia e CTG, e a avaliação do volume de líquido amniótico (Índice de Líquido Amniótico - ILA). A detecção de oligodramnia (ILA < 5 cm) é um sinal de alerta importante para interrupção da gravidez.
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