UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Primigesta, 21a, idade gestacional de 41 semanas (E₁₀), comparece ao Pronto Atendimento referindo perda de tampão mucoso, sem perda de líquidos, associada a endurecimento da barriga e dor moderada em baixo ventre, com piora há um dia. Antecedentes: nega comorbidades, gestação planejada e desejada. Exame físico: altura=1,67m; peso=67Kg; PA=116x75mmHg; altura uterina=37cm; feto cefálico; batimentos cardíacos fetais=137bpm; dinâmica uterina=ausente; movimentos fetais= presentes; toque vaginal= colo grosso, posterior, 1 polpa digital, feto cefálico em plano -3 de De Lee, bolsa íntegra. Amnioscopia=líquido opalescente, grumos grossos. Cardiotocografia=normal/classe I. A CONDUTA OBSTÉTRICA É:
Primigesta 41 semanas, colo imaturo, bem-estar fetal normal → Indução do trabalho de parto com maturação cervical.
Em uma primigesta com 41 semanas de gestação, mesmo com bem-estar fetal assegurado e ausência de dinâmica uterina, a conduta obstétrica indicada é a indução do trabalho de parto. Dada a imaturidade do colo uterino (colo grosso, posterior, 1 polpa, plano -3), a indução deve ser precedida pela maturação cervical, utilizando métodos farmacológicos (ex: misoprostol) ou mecânicos (ex: balão de Foley).
A gestação pós-termo, definida como aquela que se estende além de 42 semanas completas (294 dias), representa um desafio obstétrico devido ao aumento dos riscos maternos e fetais. No entanto, a partir de 41 semanas, já se observa um incremento nas taxas de morbimortalidade perinatal. A paciente do caso, uma primigesta com 41 semanas, enquadra-se na faixa de atenção para a qual a indução do trabalho de parto é frequentemente recomendada. O diagnóstico de gestação pós-termo é feito pela data da última menstruação confiável ou por ultrassonografia precoce. A fisiopatologia dos riscos envolve a senescência placentária, que pode levar à insuficiência placentária, oligodramnia e sofrimento fetal. Outros riscos incluem macrossomia fetal, que aumenta as chances de distocia de ombro e trauma ao nascimento, e maior incidência de mecônio no líquido amniótico. O bem-estar fetal deve ser monitorado rigorosamente com cardiotocografia e perfil biofísico. A conduta para gestantes com 41 semanas, especialmente primigestas, é a indução do trabalho de parto. No caso apresentado, o colo uterino é desfavorável (grosso, posterior, pouco dilatado, feto alto), indicando um baixo escore de Bishop. Nesses casos, a indução deve ser precedida pela maturação cervical. Métodos comuns incluem o uso de prostaglandinas (misoprostol vaginal ou dinoprostone) ou métodos mecânicos (como o cateter de Foley), que visam amolecer e dilatar o colo antes da administração de ocitocina para iniciar as contrações. A decisão deve ser individualizada, considerando as condições maternas e fetais.
Gestação pós-termo é aquela que ultrapassa 42 semanas completas. A partir de 41 semanas, há um aumento progressivo do risco de complicações como insuficiência placentária, oligodramnia, sofrimento fetal e macrossomia.
A indução do trabalho de parto é geralmente indicada a partir de 41 semanas de gestação para primigestas e multíparas, mesmo na ausência de outras complicações, para reduzir os riscos associados à prolongação da gestação.
Para um colo uterino desfavorável (Bishop score baixo), métodos de maturação cervical incluem agentes farmacológicos como misoprostol (prostaglandina E1) ou dinoprostone (prostaglandina E2), e métodos mecânicos como o balão de Foley.
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