Oligodrâmnio e Pós-termo: Indução do Parto com Prostaglandinas

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

G1P0, 40 semanas, comparece em consulta de rotina do pré-natal, sem queixas. Ao exame físico, dinâmica uterina ausente, colo grosso, posterior, fechado. Cardiotocografia mostrando feto hipoativo e hiporreativo. Ultrassonografia mostra: apresentação cefálica, índice de líquido amniótico de 4,0 cm, maior bolsão vertical de 3,0 cm, perfil biofísico fetal: 8 em 8. Qual é a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Repetir cardiotocografia em uma semana.
  2. B) Indução do trabalho de parto com ocitocina.
  3. C) Internação para cesárea.
  4. D) Indução do trabalho de parto com prostaglandina vaginal.
  5. E) Aguardar trabalho de parto espontâneo até 42 semanas.

Pérola Clínica

Gestação pós-termo com oligodrâmnio e colo desfavorável → indução do trabalho de parto com prostaglandina vaginal.

Resumo-Chave

Em gestação pós-termo (40 semanas) com oligodrâmnio (ILA < 5 cm) e colo uterino imaturo (Bishop baixo), a conduta mais adequada é a indução do trabalho de parto com prostaglandina vaginal (ex: misoprostol) para amadurecer o colo antes da ocitocina.

Contexto Educacional

A gestação pós-termo é definida como aquela que ultrapassa 42 semanas completas de gestação. No entanto, a partir de 41 semanas, já há um aumento do risco de complicações, como oligodrâmnio e insuficiência placentária. O caso apresenta uma gestante com 40 semanas, mas com sinais de comprometimento fetal (ILA baixo, CTG hipoativa), indicando a necessidade de intervenção. O oligodrâmnio (ILA de 4,0 cm) é um achado preocupante, pois pode indicar sofrimento fetal crônico e aumenta o risco de compressão do cordão umbilical durante o trabalho de parto. O perfil biofísico fetal de 8 em 8, embora bom, não anula a preocupação com o ILA baixo. O colo uterino grosso, posterior e fechado indica um colo desfavorável para a indução do trabalho de parto. Nesse cenário, a melhor conduta é a indução do trabalho de parto. Como o colo é desfavorável (Bishop baixo), a maturação cervical com prostaglandinas vaginais (como o misoprostol) é o método de escolha para preparar o colo antes de iniciar a ocitocina. A cesárea não é a primeira opção, pois não há indicação de sofrimento fetal agudo ou contraindicação ao parto vaginal. Repetir a CTG ou aguardar o trabalho de parto espontâneo postergaria a resolução de uma condição de risco.

Perguntas Frequentes

Como o índice de líquido amniótico (ILA) é avaliado e qual seu valor normal?

O ILA é avaliado por ultrassonografia, somando-se as medidas dos maiores bolsões verticais em quatro quadrantes do útero. Um ILA normal geralmente está entre 5 e 25 cm. Valores abaixo de 5 cm indicam oligodrâmnio.

Qual a diferença entre indução com ocitocina e prostaglandina?

A ocitocina é usada para estimular contrações uterinas em colo já favorável. As prostaglandinas (como o misoprostol) são utilizadas para amadurecer o colo uterino (torná-lo mais fino e dilatado) quando ele está desfavorável, antes da ocitocina.

Quais os riscos do oligodrâmnio em gestações a termo e pós-termo?

O oligodrâmnio aumenta o risco de compressão do cordão umbilical, desacelerações variáveis na cardiotocografia, aspiração de mecônio e, em casos graves, hipoplasia pulmonar. Em gestações a termo/pós-termo, indica risco de insuficiência placentária.

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