Gestação Pós-Termo: Indução do Parto e Manejo Clínico

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 36 anos, primípara, IG 41 semanas e 5 dias, sem comorbidades, procura o pronto-socorro relatando estar preocupada por ter “passado da data”. Solicita a realização de cesariana. Exame físico: altura uterina 33 cm, batimento cardíaco fetal = 140 bpm, dinâmica uterina ausente, o toque: demonstra colo médio, 50% apagado, 2 cm, amolecido, médio, cefálico, bolsa íntegra. Cardiotocografia categoria 1(ACOG). Índice de líquido aminiótico (ILA) normal. Qual seria a conduta?

Alternativas

  1. A) Internação com suspensão imediata da gestação por via alta devido à idade gestacional
  2. B) Internação e preparo do colo com misoprostol 25 microgramas via vaginal a cada 6 horas e posterior indução com ocitocina
  3. C) Descolamento das membranas após concordância da paciente, orientação e reavaliação em 2 dias
  4. D) Impossibilidade de aguardar o trabalho de parto espontâneo, internação e resolução por cesariana
  5. E) Conduta expectante, orientação sobre sinais de trabalho de parto e reavaliação em 2 dias

Pérola Clínica

Gestação >41s5d com colo desfavorável (Bishop baixo) → indução com misoprostol, seguida de ocitocina.

Resumo-Chave

Em gestação pós-termo (após 41 semanas), a indução do parto é a conduta preferencial para reduzir riscos maternos e fetais. Com um colo uterino ainda imaturo (Bishop 2 cm, 50% apagado, médio), o preparo cervical com misoprostol é indicado antes da ocitocina.

Contexto Educacional

A gestação pós-termo, definida como aquela que se estende além de 42 semanas completas (ou 41 semanas e 6 dias), ou a gestação prolongada (após 41 semanas), representa um desafio obstétrico devido aos riscos aumentados para a mãe e o feto. O manejo adequado é crucial para garantir um desfecho favorável, sendo um tema de grande relevância na obstetrícia e em exames de residência. A partir de 41 semanas, a vigilância fetal deve ser intensificada, e a indução do parto é uma estratégia recomendada para reduzir a morbimortalidade perinatal. A decisão sobre a via de parto e o método de indução depende de fatores como a idade gestacional, as condições maternas e fetais, e o grau de amadurecimento cervical, avaliado pelo Índice de Bishop. No caso de um colo uterino ainda desfavorável (Bishop baixo), o preparo cervical com agentes como o misoprostol é fundamental para aumentar as chances de sucesso da indução. Após o amadurecimento cervical, a ocitocina pode ser utilizada para estimular as contrações uterinas e progredir o trabalho de parto. A cesariana é reservada para falha de indução ou indicações obstétricas específicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os riscos da gestação pós-termo para mãe e feto?

Para o feto, há risco aumentado de macrossomia, oligodrâmnio, aspiração de mecônio, sofrimento fetal e óbito. Para a mãe, maior risco de distócia, lacerações, hemorragia pós-parto e necessidade de cesariana.

Quando a indução do parto é indicada na gestação pós-termo?

A indução do parto é geralmente indicada a partir de 41 semanas de gestação, ou antes se houver condições maternas ou fetais que justifiquem, para reduzir os riscos associados à gestação prolongada.

Como o misoprostol atua no preparo cervical para indução do parto?

O misoprostol, um análogo da prostaglandina E1, promove o amadurecimento cervical ao aumentar a produção de colagenase e a contração uterina, tornando o colo mais favorável à dilatação e à ação da ocitocina.

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