INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Uma paciente com 30 anos, primigesta, comparece ao hospital com gestação de 40 semanas e 4 dias, conforme data da última menstruação (refere ciclos regulares), e de 41 semanas, conforme resultado de ultrassonografia que realizou quando estava com 27 semanas.Ela refere boa movimentação fetal e não apresenta intercorrências clínicas ou obstétricas. Os resultados dos exames de pré-natal são normais. Relata que, apesar de um pouco ansiosa, sente-se tranquila para esperar "a hora do bebê". O médico plantonista realiza um exame de cardiotocografia que evidencia uma frequência cardíaca fetal basal de 150 bpm com variabilidade entre 10 e 20 batimentos, duas acelerações transitórias com aproximadamente 15 segundos de duração e que, em seu ápice, chegam a 165 batimentos. Não há desacelerações. É realizado um exame de ultrassonografia, cujo resultado mostra que o feto está cefálico, com líquido amniótico normal.Diante do quadro clínico descrito, assinale a opção correta.
Gestação 40s+4d com cardiotocografia reativa e líquido amniótico normal → Bem-estar fetal → Conduta expectante com reavaliação.
Em gestações pós-termo (após 40 semanas), a avaliação do bem-estar fetal é crucial. Uma cardiotocografia reativa (FCF basal normal, variabilidade adequada, acelerações presentes e sem desacelerações) e volume de líquido amniótico normal indicam bem-estar fetal, permitindo conduta expectante com vigilância.
A gestação pós-termo, ou gestação prolongada, é definida como aquela que ultrapassa 42 semanas completas (294 dias) a partir da data da última menstruação (DUM). No entanto, a vigilância intensificada geralmente começa após 40 semanas, devido ao risco crescente de complicações fetais, como oligodramnia, insuficiência placentária e macrossomia. A datação precisa da gestação, preferencialmente por ultrassonografia realizada no primeiro trimestre, é crucial para o manejo adequado. No caso apresentado, a paciente está com 40 semanas e 4 dias pela DUM e 41 semanas pela USG precoce, o que a coloca na faixa de gestação prolongada inicial. A avaliação do bem-estar fetal é o pilar da conduta. A cardiotocografia (CTG) é um método não invasivo que avalia a frequência cardíaca fetal (FCF), sua variabilidade e a presença de acelerações e desacelerações. Uma CTG reativa, como a descrita (FCF basal 150 bpm, variabilidade 10-20 bpm, 2 acelerações de 15x15), é um forte indicativo de bem-estar fetal. A avaliação do volume de líquido amniótico, seja pelo Índice de Líquido Amniótico (ILA) ou pelo maior bolsão, também é essencial, e o resultado normal reforça o bom estado fetal. Diante de um quadro de gestação prolongada com exames de bem-estar fetal normais, a conduta mais apropriada é a expectante com vigilância, orientando a paciente a retornar para reavaliação em alguns dias. A indução do parto é geralmente considerada a partir de 41 semanas completas, ou antes, se houver qualquer sinal de comprometimento do bem-estar fetal. A decisão deve ser individualizada, considerando a paridade, o desejo da paciente e as condições cervicais.
Uma cardiotocografia é reativa quando a frequência cardíaca fetal basal está entre 110-160 bpm, com variabilidade moderada (6-25 bpm) e presença de pelo menos duas acelerações transitórias de 15 bpm por 15 segundos em 20 minutos. Isso indica um bom bem-estar fetal.
O volume de líquido amniótico é um indicador importante do bem-estar fetal, pois reflete a perfusão renal fetal. Oligodramnia (diminuição do líquido) pode ser um sinal de insuficiência placentária e sofrimento fetal, exigindo intervenção.
Com exames de bem-estar fetal normais, é geralmente seguro aguardar o início espontâneo do trabalho de parto até 41 semanas e 0 a 6 dias de gestação, com vigilância contínua. Após 41 semanas, a indução do parto é frequentemente recomendada.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo