Gestação Pós-Termo (42 Semanas): Conduta e Indução do Parto

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma gestante, em sua consulta de pré-natal em Unidade Básica de Saúde, está preocupada porque seu filho ainda não nasceu. De acordo com a data da última menstruação, está no momento da consulta com 42 semanas de gestação, que coincide com exame ultrassonográfico realizado na 8ª semana de gestação. Ao exame físico e obstétrico, apresenta: pressão arterial = 100x60 mmHg, altura uterina = 38 cm, frequência cardíaca fetal = 140 bpm, sem desacelerações, colo apagado 50%, fechado, feto único, cefálico e insinuado. De acordo com esses dados, qual é a conduta adequada:

Alternativas

  1. A) Orientar a gestante e encaminhar para a maternidade para avaliação da vitalidade fetal, preparo do colo e indução do parto.
  2. B) Internação, cardiotocografia, dopplervelocimetria de ducto venoso e perfil biofísico diários e, se alterados, realizar operação cesariana.
  3. C) Encaminhar a gestante para a maternidade de alto risco para realizar cesariana devido desproporção cefalopélvica e índice de Bishop desfavorável para indução de parto via vaginal.
  4. D) Tranquilizar a gestante e orientar para procurar a maternidade caso apresente perda de líquido e se constatar quantidade inferior a 6 movimentos fetais em duas horas de observação.

Pérola Clínica

Gestação ≥ 42 semanas → Risco ↑ de morbimortalidade fetal/neonatal = Indução do parto após avaliação da vitalidade.

Resumo-Chave

Uma gestação que atinge 42 semanas completas é considerada pós-termo e está associada a um aumento do risco de complicações maternas e fetais, como insuficiência placentária e oligodramnia. A conduta adequada é a internação para avaliação da vitalidade fetal e indução do parto, caso não haja contraindicações.

Contexto Educacional

A gestação pós-termo, definida como aquela que atinge ou ultrapassa 42 semanas completas (294 dias) a partir da data da última menstruação, é uma condição que exige atenção especial no pré-natal. A confirmação da idade gestacional por ultrassonografia precoce é fundamental. Embora a maioria das gestações pós-termo evolua sem intercorrências graves, há um aumento progressivo do risco de morbimortalidade materno-fetal após 41 semanas. Os principais riscos para o feto incluem insuficiência placentária, que pode levar a oligodramnia e sofrimento fetal, além de macrossomia, síndrome de aspiração meconial e maior risco de trauma no parto. Para a mãe, há maior chance de parto operatório, lacerações e hemorragia pós-parto. A avaliação da vitalidade fetal é crucial e inclui cardiotocografia, perfil biofísico fetal e avaliação do volume de líquido amniótico. A conduta para gestação pós-termo é a indução do parto, geralmente recomendada a partir de 41 semanas e mandatória em 42 semanas, desde que não haja contraindicações. O preparo do colo uterino, se desfavorável (Índice de Bishop baixo), pode ser realizado com métodos farmacológicos (prostaglandinas) ou mecânicos (sonda de Foley), antes da indução com ocitocina. O objetivo é reduzir os riscos associados à prolongação da gestação e garantir um desfecho materno-fetal seguro.

Perguntas Frequentes

Quais os riscos associados à gestação pós-termo?

Os riscos incluem insuficiência placentária, oligodramnia, macrossomia fetal, aspiração de mecônio, sofrimento fetal, aumento da necessidade de cesariana e maior morbimortalidade perinatal.

Como é feita a avaliação da vitalidade fetal em gestação pós-termo?

A avaliação inclui cardiotocografia, perfil biofísico fetal e ultrassonografia para avaliação do volume de líquido amniótico. Esses exames buscam sinais de comprometimento fetal.

Quando a indução do parto é indicada em gestação pós-termo?

A indução do parto é geralmente indicada a partir de 41 semanas e, definitivamente, em 42 semanas de gestação, desde que não haja contraindicações maternas ou fetais para o parto vaginal.

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