Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2020
Em relação à gestação múltipla, assinale a alternativa incorreta.
Via de parto em gemelar monocoriônica: não é obrigatoriamente cesariana; depende da apresentação e bem-estar fetal.
A via de parto em gestações gemelares monocoriônicas não é automaticamente cesariana. A decisão depende de múltiplos fatores, como a apresentação do primeiro gemelar, idade gestacional, peso estimado e ausência de outras complicações, sendo o parto vaginal possível em muitas situações.
A gestação múltipla, especialmente a gemelar, representa um cenário de alto risco na obstetrícia, com maior incidência de complicações maternas e fetais. A corionicidade (número de placentas) é o fator mais importante para determinar os riscos e o manejo. Gestações monocoriônicas (uma placenta) são mais complexas devido à possibilidade de anastomoses vasculares, que podem levar à Síndrome da Transfusão Feto-Fetal (STFF) e outras complicações específicas. A via de parto em gestações gemelares é um tópico de debate e depende de múltiplos fatores. A afirmação de que gestações monocoriônicas obrigatoriamente devem ser via alta é incorreta. Se o primeiro gemelar estiver em apresentação cefálica e não houver outras contraindicações, o parto vaginal pode ser uma opção segura, mesmo em monocoriônicas. O risco de descolamento de placenta após a saída do primeiro gemelar é real, mas pode ser gerenciado com monitorização e intervenção adequadas. Outros pontos importantes incluem a "síndrome do gêmeo evanescente" (vanishing twin syndrome), onde um dos fetos é reabsorvido no início da gestação, e a diferenciação entre zigosidade (monozigóticos ou dizigóticos) e corionicidade (monocoriônicos ou dicoriônicos). Gestações monozigóticas podem ser monocoriônicas ou dicoriônicas, dependendo do momento da divisão do zigoto. O manejo da gestação múltipla exige conhecimento aprofundado das suas particularidades e um planejamento individualizado para cada caso.
A gestação monocoriônica compartilha uma única placenta, aumentando o risco de complicações como a Síndrome da Transfusão Feto-Fetal (STFF), enquanto a dicoriônica possui duas placentas separadas, com riscos mais próximos de gestações únicas.
O parto vaginal é geralmente considerado seguro em gestações gemelares dicoriônicas e em monocoriônicas, desde que o primeiro gemelar esteja em apresentação cefálica e não haja outras contraindicações obstétricas.
A STFF é uma complicação grave de gestações monocoriônicas, onde há uma comunicação vascular desequilibrada na placenta, resultando em um feto doador (hipovolêmico) e um feto receptor (hipervolêmico), com alta morbimortalidade.
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