Gestação Gemelar Monoamniótica: Manejo e Parto Eletivo

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

Assinale a assertiva correta sobre gestação gemelar.

Alternativas

  1. A) À visualização ultrassonográfica, massa placentária única, sexos fetais semelhantes e presença do sinal do lambda definem que a gestação é monocoriônica diamniótica.
  2. B) Nos dicoriônicos, o óbito de um feto no segundo ou terceiro trimestre pode levar ao óbito do outro ou à hipovolemia/isquemia com dano cerebral.
  3. C) No diagnóstico pré-natal da sequência anemia-policitemia, o feto anêmico apresenta velocidade de pico sistólico da artéria cerebral média < 1,0 MoM (múltiplos da mediana).
  4. D) Nos monoamnióticos, o nascimento eletivo deverá ser realizado por cesariana, a ser programada em torno da 33a semana em razão do maior risco de óbito ou morbidade fetal grave.

Pérola Clínica

Gestação monoamniótica: alto risco, nascimento eletivo por cesariana ~33 semanas.

Resumo-Chave

Gestação gemelar monoamniótica é a mais rara e de maior risco devido à alta incidência de complicações como entrelaçamento de cordões. Por isso, o parto eletivo por cesariana é recomendado precocemente, geralmente em torno da 33ª semana, para minimizar os riscos de óbito ou morbidade fetal grave.

Contexto Educacional

A gestação gemelar é considerada de alto risco e sua classificação em relação à corionicidade e amnionicidade é fundamental para o manejo e prognóstico. Gestações dicoriônicas (duas placentas) são as mais comuns e de menor risco, enquanto as monocoriônicas (uma placenta) apresentam maiores taxas de complicações, como a síndrome de transfusão feto-fetal (STFF) e restrição de crescimento seletiva. Dentro das monocoriônicas, as monoamnióticas (uma placenta e uma bolsa amniótica) são as mais raras e de maior risco. O diagnóstico da corionicidade e amnionicidade é feito por ultrassonografia no primeiro trimestre. O sinal do lambda é patognomônico de dicorionicidade, enquanto o sinal do T invertido indica monocorionicidade. A sequência anemia-policitemia é uma complicação da gestação monocoriônica, onde um feto se torna anêmico e o outro policitêmico, sendo diagnosticada pelo Doppler da artéria cerebral média: o feto anêmico apresenta velocidade de pico sistólico > 1,5 MoM. O manejo da gestação gemelar varia conforme a corionicidade e amnionicidade. Em gestações monoamnióticas, devido ao risco elevado de entrelaçamento de cordões e óbito fetal súbito, o parto eletivo por cesariana é recomendado precocemente, geralmente entre 32 e 34 semanas, após a administração de corticoides para maturação pulmonar fetal. A vigilância fetal intensiva é crucial em todas as gestações gemelares de alto risco.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da corionicidade e amnionicidade na gestação gemelar?

A corionicidade (número de placentas) e amnionicidade (número de bolsas amnióticas) são os fatores mais importantes para determinar o prognóstico e o manejo da gestação gemelar, influenciando o risco de complicações como a síndrome de transfusão feto-fetal e entrelaçamento de cordões.

O que é o sinal do lambda e o que ele indica?

O sinal do lambda (ou twin-peak sign) é um achado ultrassonográfico precoce que indica uma gestação dicoriônica (duas placentas). Ele representa a projeção do tecido coriônico entre as duas membranas amnióticas, formando um triângulo na base da inserção da membrana na placenta.

Por que o nascimento eletivo em gestações monoamnióticas é feito por cesariana e precocemente?

Em gestações monoamnióticas, o risco de entrelaçamento dos cordões umbilicais é muito alto, podendo levar à compressão e óbito fetal súbito. A cesariana eletiva e precoce (geralmente por volta da 33ª semana) é realizada para evitar essa complicação grave, antes que o risco de entrelaçamento supere os benefícios da maturação fetal intraútero.

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