SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2023
A gestação gemelar é considerada uma gravidez de alto risco, pois apresenta altas taxas de morbimortalidade materna e fetais. Dentre as afirmativas abaixo, em relação as gestações múltiplas, marque a resposta correta.
STFF (monocoriônica-diamniótica) = Oligo-hidrâmnio (bolsão < 2cm) em um feto + Polidrâmnio (bolsão > 8cm) no outro.
A Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF) é uma complicação grave de gestações gemelares monocoriônicas, diagnosticada ultrassonograficamente pela discrepância no volume de líquido amniótico: oligo-hidrâmnio severo em um feto (doador) e polidrâmnio severo no outro (receptor), com os critérios de maior bolsão < 2 cm e > 8 cm, respectivamente.
A gestação gemelar é intrinsecamente considerada de alto risco devido à maior incidência de complicações maternas e fetais, incluindo parto prematuro, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, restrição de crescimento fetal e hemorragia pós-parto. A hemorragia pós-parto em gestações múltiplas decorre principalmente da atonia uterina, devido à sobredistensão do útero, e não primariamente de lesões do canal do parto. Uma das complicações mais graves e específicas das gestações monocoriônicas (que compartilham uma única placenta) é a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF). Esta síndrome ocorre devido a anastomoses vasculares desequilibradas na placenta, resultando na transfusão de sangue de um feto (doador) para o outro (receptor). O diagnóstico ultrassonográfico da STFF é caracterizado por uma discrepância significativa no volume de líquido amniótico entre os fetos: o feto doador apresenta oligo-hidrâmnio severo (maior bolsão < 2 cm) e o feto receptor desenvolve polidrâmnio severo (maior bolsão > 8 cm), em gestações monocoriônicas diamnióticas. O manejo da STFF é complexo e pode incluir fetoscopia com coagulação a laser das anastomoses placentárias. Em relação ao parto de gestações gemelares, a via de parto é individualizada. O parto normal pode ser considerado em casos selecionados, mas a apresentação pélvica do segundo gemelar, especialmente se o peso estimado for superior a 1500g, frequentemente leva à indicação de cesariana para evitar complicações como prolapso de cordão ou dificuldades na extração. A pré-eclâmpsia é mais comum em gestações múltiplas devido à maior massa placentária e não é rara.
As gestações gemelares podem ser dicoriônicas-diamnióticas, monocoriônicas-diamnióticas ou monocoriônicas-monoamnióticas. A STFF ocorre exclusivamente em gestações monocoriônicas (compartilham a mesma placenta), devido à presença de anastomoses vasculares desequilibradas que causam desbalanço circulatório.
As gestações múltiplas aumentam o risco de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro, hemorragia pós-parto (principalmente por atonia uterina), restrição de crescimento fetal, malformações congênitas e síndrome de transfusão feto-fetal, exigindo acompanhamento rigoroso.
A conduta depende de vários fatores, incluindo a idade gestacional, o peso estimado dos fetos e a experiência do obstetra. O parto vaginal pode ser considerado se o primeiro gemelar estiver cefálico e o segundo gemelar pélvico com peso estimado adequado (>1500g), mas a cesariana é frequentemente preferida para o segundo gemelar pélvico em muitas situações para evitar complicações.
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