SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025
Em relação à gestação gemelar, analise as assertivas a seguir:I. É considerada uma gestação de alto risco.II. Apresenta alta taxa de prematuridade e está associada ao aumento da morbimortalidade materna, fetal e neonatal.III. A definição da corionicidade é clinicamente importante, devido ao risco aumentado de complicações fetais e neonatais em gestações dicoriônicas. Quais estão corretas?
Toda gestação gemelar é de alto risco, principalmente pela prematuridade. Gestações monocoriônicas têm riscos adicionais por compartilharem a placenta.
A gestação gemelar é inerentemente de alto risco, elevando a morbimortalidade materna e fetal, com a prematuridade sendo a principal complicação. A definição da corionicidade é vital, pois as gestações monocoriônicas (placenta única) são mais arriscadas que as dicoriônicas devido a complicações vasculares exclusivas.
A gestação gemelar é classificada como uma gestação de alto risco devido ao aumento significativo da morbimortalidade materna, fetal e neonatal em comparação com gestações únicas. As principais complicações maternas incluem pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e hemorragia pós-parto. Para os fetos, os maiores riscos são a prematuridade e a restrição de crescimento intrauterino. A determinação da corionicidade (número de placentas) no início da gestação é o passo mais importante no manejo. Gestações dicoriônicas (duas placentas) têm um prognóstico melhor. Já as gestações monocoriônicas (uma placenta) apresentam riscos adicionais e mais graves devido às anastomoses vasculares na placenta compartilhada, que podem levar a complicações exclusivas como a Síndrome da Transfusão Feto-Fetal (STFF), a Restrição de Crescimento Seletiva e a Sequência Anemia-Policitemia (TAPS). O pré-natal de uma gestação gemelar exige um acompanhamento mais frequente, com ultrassonografias seriadas para avaliar o crescimento fetal, o volume de líquido amniótico e, nas monocoriônicas, rastrear sinais de STFF. O manejo visa prolongar a gestação para reduzir os riscos da prematuridade, monitorar e tratar as complicações específicas e planejar o parto, que frequentemente ocorre por via cesariana e antes do termo.
A corionicidade é melhor definida no ultrassom do primeiro trimestre (entre 11 e 14 semanas). A presença do 'sinal do lambda' (projeção de tecido coriônico na base da membrana) indica dicorionicidade. A ausência deste e a presença do 'sinal do T invertido' indicam monocorionicidade.
A prematuridade é a principal causa de morbimortalidade neonatal em gestações gemelares. Cerca de 50-60% dos gemelares nascem prematuros, o que acarreta riscos de síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante.
A STFF é uma complicação grave e exclusiva das gestações monocoriônicas, causada por um desequilíbrio no fluxo sanguíneo através das anastomoses vasculares da placenta. Isso resulta em um feto 'doador' (oligodrâmnio, anêmico, com restrição de crescimento) e um feto 'receptor' (polidrâmnio, policitêmico, com risco de hidropsia).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo